Experiências de desenraizamento: estudo da coleção Irene Luftig do Museu Judaico de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.35699/1982-3053.2026.64414Palavras-chave:
Irene Luftig, Arte gráfica, Museu Judaico de São PauloResumo
O artigo investiga a trajetória e a obra de Irene Luftig (1907–1987), artista de ascendência judaica, nascida na Alemanha e radicada em São Paulo a partir de 1936. A partir do acervo preservado pelo Museu Judaico de São Paulo — composto por desenhos, xilogravuras, pinturas e colagens —, o texto propõe uma leitura articulada entre obra, biografia e experiência histórica do exílio. Diante da escassez de registros biográficos, a pesquisa toma a produção artística como fonte privilegiada para compreender uma trajetória marcada pelo desenraizamento e pela reconstrução da vida no Brasil. O artigo identifica três núcleos poéticos centrais na obra de Luftig: o envelhecimento e a convivência entre idosos, observado sobretudo em seus desenhos de caráter intimista; a construção da paisagem urbana e o trabalho, tematizados nas xilogravuras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970; e, por fim, as imagens de sofrimento social, violência e denúncia, desenvolvidas principalmente em gravuras coloridas e colagens. O estudo evidencia o caráter crítico, socialmente engajado e singular da obra de Irene Luftig, compreendida como um testemunho indireto, porém expressivo, da experiência de uma judia refugiada e de sua sensibilidade diante do sofrimento, anonimato e exclusão.
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