CHAMADA O Eixo e a Roda – v. 36, n.2 (abr. - jun. 2027) Dossiê: Literatura, circulação, e outros caminhos
Chamada O Eixo e a Roda – v. 36, n.2 (abr. - jun. 2027)
Dossiê: Literatura, circulação, e outros caminhos
Organizadores:
Marcelo Freddi Lotufo (Universidade de São Paulo)
Thayse Leal Lima (University of Maryland)
Prazo para submissão: 28 de outubro e 2026
O deslocamento internacional ou dentro do próprio país tem se mostrado central para a consolidação da cultura brasileira. Basta, neste sentido, lembrarmos de Visão do Paraíso, clássico de Sérgio Buarque de Holanda, que demonstra a formação de um imaginário sobre as américas a partir do olhar dos primeiros exploradores; ou de O Sol do Brasil, de Lilia Moritz Schwarcz, que explora o papel da missão artística francesa de 1816 na modernização das artes nacionais durante os anos que precederam a independência do país. A viagem, intercontinental ou dentro da própria nação, como já apontou Flora Sussekind no seu seminal O Brasil não é longe daqui, foi central para a consolidação do narrador em nossos primeiros romances e determinou uma maneira de se relacionar com o país, sua natureza e populações. Historicamente, entretanto, a atenção dos pesquisadores se manteve em trajetos específicos, principalmente o das metrópoles europeias para o Brasil, do campo para a cidade, ou de viajantes do sudeste como Mário de Andrade e Euclides da Cunha para outras regiões do país. Os debates contemporâneos sobre a circulação literária para além das fronteiras nacionais pela teoria da Literatura Mundial (Moreti, Ahmad, Casanova), a crítica ao Eurocentrismo e às hierarquias epistêmicas da modernidade ocidental feita pelos Estudos Pós-Coloniais (Mignolo, Chakrabarty, Quijano), e a atenção às etnopaisagens e a cartografias transatlânticas pelos Estudos Diaspóricos (Apudarai, Gilroy), entre outros, nos estimulam a considerar novos percursos e prestar atenção em trabalhos que os representem. Que outras visões do Brasil, do mundo e de nós mesmos tais estes outros itinerários podem apresentar? Quais as possibilidades de se pensar a circulação de materiais e ideias fora dos eixos hegemônicos, geralmente presos a um esquema de centros e periferias? Que tipo de cartografias literárias e culturais vão sendo constituídas pela narrativa de viagem e por imaginários estrangeiros? Como esses textos nos obrigam a repensar a constituição da literatura e da cultura brasileira? Convidamos, então, pesquisadores a apresentarem suas leituras de textos que abordem outros trajetos que possam revisitar o tema da viagem, da imigração, da circulação de materiais e ideias transnacionais e transcontinentais, na literatura brasileira.



