Transgeracionalidade em “Retrato de Família”, de Carlos Drummond de Andrade, sob a perspectiva da Psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.3.23-35Palavras-chave:
transgeracionalidade, herança arcaica, inconsciente, Drummond, memóriaResumo
Este artigo propõe vincular “Retrato de família” (1945), de Carlos Drummond de Andrade, ao conceito de transgeracionalidade, entendendo a poesia como um registro da transmissão psíquica do trauma histórico e social. Esta conexão estabelece o poema não apenas como arte, mas como um organismo vivo onde o silêncio das gerações passadas encontra uma forma de manifestação. Tal abordagem baseia-se em Freud, que introduz a herança arcaica, e em Lacan, que explica o inconsciente determinado pelo discurso do Outro, onde o que não foi simbolizado por uma geração retorna como lacuna simbólica para a seguinte. O poema em tela, pois, atua como metáfora central desse inconsciente, onde o corpo individual é o portador da herança. As contribuições, entre outras, de Susan Sontag sobre a fotografia melancólica e de Walter Benjamin sobre o “efeito de choque” da imagem, fixando-a como uma “dialética na imobilidade”, aprofundam a reflexão sobre tempo e memória.
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