Esplendor geométrico
espirais imagéticas e oníricas presentes na literatura de Jussara Salazar
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.3.104-116Palavras-chave:
Fantástico, Sonho, Jussara SalazarResumo
Este artigo investiga a convergência estética e o efeito colaborativo entre imagem e palavra na poesia de Jussara Salazar. O objetivo central é demonstrar como as construções imagéticas e oníricas em Salazar estabelecem diálogos sob a ótica da estética da recepção de Wolfgang Iser. Metodologicamente, o trabalho relaciona os movimentos surrealista e barroco à escrita da autora e à poética do duplo em Borges para analisar a criação do efeito de afterimage (pós-imagem). A fundamentação teórica mobiliza autores como Bachelard (2008), Roas (2014) e Todorov (1981) para discutir o fantástico e a circularidade simbólica. A análise detém-se nos poemas “I. Ondulados” e “II. Perspicazes” (Natália, 2004), em correlação com textos de O fazedor (2008) e O livro dos seres imaginários (2007). Os resultados indicam que as imagens de espirais, espelhos e lâminas funcionam como dispositivos de desestabilização do real e de reverberação estética. Conclui-se que o sonho atua como instância mediadora entre mythos e logos, revelando uma estrutura de mimese compartilhada que reconfigura a percepção do leitor de Salazar a partir dos ecos borgianos nos poemas analisados.
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