Orides Fontela
dos fragmentos acumulados, o caos domado em plenitude
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.1.101-114Parole chiave:
arabesco, rosácea, poesia oridianaAbstract
O trabalho propõe uma leitura da poesia de Orides Fontela, poeta brasileira do século XX. Busca investigar, em especial, as particularidades de sua escrita, marcada pela brevidade em enlace aos símbolos vinculados ao mito, ao misticismo, à filosofia e à religião. O texto debruça-se, para tanto, sobre a possibilidade de interpretação dos vocábulos, em extensão imagética, “arabesco” e “rosácea” no interior de sua poética. Tais termos, por um lado, concebe uma escrita enigmática – intrincada e fragmentada em sua forma e em seus significados, o que se atrela à noção de concisão – e, por outro, alude ao que é místico e misterioso, bem como atravessado por certo pensamento filosófico-religioso. No percurso que se pretende fazer, diferentes discursos são confrontados, a fim de se alcançar o núcleo de imantação do estudo: a contextualização e a discussão de poemas do livro Rosácea, de 1986, aqui integrado à Poesia completa da autora (2015). A propósito dos resultados da investigação, é oportuno afirmar que a escrita de Fontela obedece a um projeto poético praticamente inalterável, mantendo-a distante de determinada hipótese geracional forjada em seu entorno. Pode-se apontar, ademais, que a poeta se destaca particularmente por sua erudição, refletida em sua capacidade de unir elementos de tempos e culturas diversos com uma coerência quase incontornável na construção de seus poemas.
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