Um (desen)canto em várias vozes
figurações da coralidade em Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.34.4.%25pParole chiave:
Luiz Ruffato, literatura brasileira, coralidade, contemporaneidade, instalação literáriaAbstract
O artigo analisa como Luiz Ruffato, em Eles eram muitos cavalos, encena a experiência urbana contemporânea por meio de uma estética da fragmentação e da coralidade. Adota como método a articulação de referenciais teóricos oriundos dos estudos literários, da arte contemporânea e da teoria estética, com destaque para os conceitos de restos do real (Garramuño, 2009, 2014), romance-instalação (Carvalho, 2005; Reiss, 2012), e a noção de contemporaneidade de Agamben (2009). A análise demonstra que a obra rompe com a linearidade narrativa e estrutura-se como uma instalação literária composta por múltiplos registros discursivos — vozes, documentos, cenas e ruídos — que tensionam os limites entre ficção e realidade. Evidencia que a coralidade, longe de propor harmonia, instaura um entrechoque constante de vozes dissonantes, que refletem a precarização, a invisibilidade e a violência social na cidade de São Paulo. Conclui que a fragmentação formal não é mero recurso estilístico, mas uma estratégia crítica que, ao encenar a escuridão do presente, conforme Agamben, expõe o colapso das formas tradicionais de representação, convertendo a literatura em espaço de resistência e denúncia das desigualdades urbanas.
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