“Supondo que a história seja um trem de ferro”

modernidade tecnológica e pobreza da experiência em Machado de Assis

Autori

DOI:

https://doi.org/10.17851/2358-9787.35.1.131-146

Parole chiave:

Machado de Assis, modernidade, estradas de ferro, crise da experiência

Abstract

O objetivo deste artigo é propor uma reflexão sobre a obra de Machado de Assis tendo em vista a forma como ele abordou o trem em suas obras, com especial atenção ao conto “Evolução” e a partir da análise de trechos de Quincas Borba, de Dom Casmurro, de Esaú e Jacó e de Memorial de Aires. A perspectiva aqui adotada é oriunda dos estudos midiáticos, sobretudo a partir da concepção mcluhiana de mídia – na qual é possível incluir o trem como tecnologia midiática – e das formulações de Wolfgang Schivelbusch (2014), que analisou como o trem e as estradas de ferro promoveram alterações no aparelho perceptivo humano ao criarem uma nova relação com o tempo e com o espaço. Essa crise da percepção – portanto, estética (aesthesis) – acarreta uma crise da experiência (Erfahrung), analisada por Walter Benjamin (2012) como sintoma da modernidade e cuja consequência é a crise da narração. Ou seja, o trem se torna um princípio formal na obra machadiana.

Biografia autore

  • Gustavo Ramos de Souza, Universidade Estadual de Londrina (UEL) | Londrina | PR | BR

    Doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (2015-2019). Atualmente, desenvolve estágio pós-doutoral na mesma instituição, como bolsista PDPG-CAPES, com pesquisa sobre Machado de Assis e as mídias técnicas do século XIX. É professor colaborador (Doc-CRES) do Departamento de Letras Português da Universidade Estadual de Londrina.

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Pubblicato

2026-03-19

Fascicolo

Sezione

Temática Livre