Doutora em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais em co-tutela com a Uinversité Paris I - Panthéon Sorbonne. Professora adjunta da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.
O objetivo deste artigo é tentar compreender a inovação cartesiana presente no argumento do sonho, esclarecendo seu escopo, seu objetivo e suas possíveis origens céticas. Para tanto, faz-se necessária a comparação entre o argumento cartesiano e aqueles apresentados por filósofos anteriores a ele, na tentativa de esclarecer suas semelhanças e diferenças, e compreender em que medida Descartes se apropria de elementos provenientes do ceticismo. Concluímos que a mais provável inspiração cartesiana seja Montaigne, e que essa influência é mais evidente no Discurso que nas Meditações.
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