O objetivo deste artigo é cotejar a interpretação foucaultiana sobre o cinismo
com a crítica nietzschiana à cultura e seu projeto de transvaloração dos valores. A partir
de uma anedota sobre Diógenes, o cínico, Foucault desenvolve suas hipóteses sobre a
verdadeira vida cínica, tendo como ponto de partida o imperativo de transfigurar o valor
da moeda. Nessa tarefa, é crucial a relação que o autor estabelece entre moeda, valores e
normas, posto que o cinismo efetivamente assume determinada posição contra as
convenções, diametralmente avessa aos hábitos e aos costumes sociais. Haveria no
cinismo um impulso destruidor de convencionalismos e das rotas culturais dominantes
estabelecidas para e pela coletividade. Assim, a vida cínica exprimiria um modo de viver,
transfigurando os valores e estilos de vida convencionais. Portanto, creio que haja uma
fértil proximidade entre essas concepções e o posicionamento filosófico de Nietzsche,
com sua crítica à cultura e a afirmação de uma transvaloração dos valores.