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Artigos

v. 3 n. 5 (2016): 2º Semestre de 2016

CONHECIMENTO E LINGUAGEM DA VIDA NATURAL: EXÍLIO E QUEDA EM NIETZSCHE E BENJAMIN

Enviado
abril 6, 2026
Publicado
2026-04-06

Resumo

O trabalho parte das conclusões realizadas por Nietzsche acerca da origem da linguagem e da consciência como decorrência necessária da natureza gregária dos seres humanos, sendo eles muito fracos e impotentes no interior do seio do mundo animal. Assim, o trabalho analisa em Nietzsche a semelhança entre a reflexão sobre mitos ocidentais do nascimento da humanidade, o do Gênesis e o de Prometeu e a sua singular forma de lidar com a cisão fundamental entre humano e animal, e o surgimento da linguagem e da consciência como uma forma de sobrevivência frente à natureza, que vai se manifestar no campo do conhecimento e na linguagem própria desse conhecimento como uma necessidade de dominar, subjugar, não só essa natureza externa, mas também aquilo que no próprio homem é natural. Depois disto, uma outra visão sobre a relação entre a linguagem e o exílio é apresentada, a que está presente nos textos de juventude de Walter Benjamin, onde o autor analisa o mito da queda presente no Gênesis. No livro bíblico, Benjamin aponta para o fato de que o exílio e a queda primordial não coincidem com o surgimento da linguagem. Ali, a linguagem é anterior à queda do paraíso. No paraíso já havia sido concedida ao homem uma linguagem, a linguagem do nomear, concedida por Deus a Adão. Assim, o que a árvore do conhecimento representa é uma nova pergunta, um novo uso da linguagem que não mais responde à criação divina. Mesmo o objeto dessa nova língua não tem mais significação nenhuma, ele só existe enquanto palavra vã, conhecimento externo à linguagem.

Referências

  1. ADORNO, Theodor & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Tradução Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. BENJAMIN, Walter. Escritos sobre mito e linguagem. Tradução de Sasana Kampff Lages e Ernani Chaves. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2013. _____. Origem do drama trágico alemão. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. CALOMENI, Tereza Christina B. "Breve notas sobre a crítica nietzschiana da consciência e da linguagem" In: cadernos Nietzsche 28, 2011. ÉSQUILO, "Prometeu Cadeeiro" In: Tragédias. Estudo e traduções de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 2009. HESÍODO. Teogonia. Tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995. NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. _____. O Nascimento da Tragédia. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. _____. Segunda consideração intempestiva: Da utilidade e desvantagem da história para a vida. Tradução de Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003. _____. "Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral" In: Obras Incompletas. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril, 1973. PLATÃO. "Protágoras" In: Diálogos (Vol. III-IV). Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: UFPA, 1980.

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