O Eterno Retorno e a Estilística da Existência

Autores

  • Laurici Vagner Gomes

Palavras-chave:

Eterno retorno, Estilística da existência, Arte, Vida, Ética

Resumo

O aforismo 341 de Gaia Ciência revela que o interesse nietzschiano pelos
efeitos éticos do eterno retorno está profundamente ligado a ideia de que a vida na
completude de seu desdobramento temporal se repetirá eternamente na mesma
sequência e ordem. Com isso, a hipótese demoníaca nos encaminha para o dramático
desafio que envolve a caracterização do eterno retorno como uma doutrina ética: querer
aquilo que se sabe. Para que se efetivem as potencialidades éticas do retorno, não basta
encontrar fundamentos teóricos que sustentem a idéia de que a vida repetirá na mesma
sequência e ordem, não basta a prova científica, é necessário querer essa repetição.
Dessa forma, a questão crucial que Nietzsche encaminha ao seu leitor no aforismo 341
deGaia Ciência é como viver de modo a querer que a vida se repita eternamente na
totalidade de seu desdobramento temporal. Nesse contexto, o objetivo desse presente
artigo é discutir o investimento nietzschiano nos desdobramentos éticos do eterno
retorno e sua relação com a estilística da existência que emerge entre os escritos do
filósofo ao fim do segundo período de sua produção.

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Biografia do Autor

  • Laurici Vagner Gomes

    Doutorando em Filosofia pela UFMG. Professor de Filosofia da Faculdade de Educação da
    Universidade do Estado de Minas Gerais FAE/UEMG.

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Publicado

2019-06-03

Como Citar

VAGNER GOMES, Laurici. O Eterno Retorno e a Estilística da Existência. Outramargem: revista de Filosofia, Belo Horizonte, Brasil, v. 2, n. 2, p. 241–257, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/outramargem/article/view/65576. Acesso em: 15 maio. 2026.