Fatores associados à violência contra mulher na vida pregressa de mulheres encarceradas

Autores

  • Vanessa Cristina Fanger Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Faculdade de Medicina, Campinas SP , Brasil, Pontifícia Universidade Católica de Campinas - Puc Campinas, Faculdade de Medicina. Campinas, SP - Brasil. http://orcid.org/0000-0002-7286-2561
  • Silvia Maria Santiago Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Saúde Coletiva, Campinas SP , Brasil, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Departamento de Saúde Coletiva. Campinas, SP - Brasil. http://orcid.org/0000-0003-0587-2935
  • Celene Aparecida Ferrari Audi Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Saúde Coletiva, Campinas SP , Brasil, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Departamento de Saúde Coletiva. Campinas, SP - Brasil. http://orcid.org/0000-0001-9802-3654

DOI:

https://doi.org/10.35699/2316-9389.2019.49719

Palavras-chave:

Mulheres, Violência contra a Mulher, Mulheres Maltratadas, Violência Doméstica, Saúde da Mulher, Fatores de Risco, Prisões, Prisioneiros

Resumo

Sob o olhar da saúde pública, a desproporcional carga de doença física e psiquiátrica no sistema carcerário apresenta um desafio e uma oportunidade para ações interdisciplinares em todo o mundo. Objetivo: verificar a prevalência e os fatores associados à violência na vida pregressa das reeducandas da Penitenciária Feminina de Campinas-SP. Método: trata-se de estudo transversal realizado com 1.013 reeducandas. Realizou-se análise de regressão logística múltipla. Resultados: sofreram violência psicológica 40,3% e violência física/sexual 31,2% das mulheres. Cor da pele não branca (OR=1,40; IC95%:1,09 - 1,81), uso de tranquilizante (OR=1,40; IC95%:1,04-1,93), violência física referida antes dos 15 anos de idade (OR=1,40; IC95%:1,05-1,87) e transtorno mental comum (OR=1,95; IC95%:1,47-2,60), associaram-se positivamente à violência psicológica. A prevalência de violência física foi maior nas mulheres solteiras/divorciadas/separadas, naquelas que presenciaram agressão física na infância e com rastreamento positivo para TMC. Conclusão: entre as demandas específicas do gênero, merece especial atenção a violência contra a mulher, já que é um agravo recorrente, que causa danos irreparáveis à saúde física e psicológica das vítimas, configurando-se em um problema de saúde pública. Ações de promoção da saúde e cultura de paz devem ser trabalhadas desde a infância.

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Publicado

17-02-2020

Como Citar

1.
Fanger VC, Santiago SM, Audi CAF. Fatores associados à violência contra mulher na vida pregressa de mulheres encarceradas. REME Rev Min Enferm. [Internet]. 17º de fevereiro de 2020 [citado 23º de maio de 2024];23(1). Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/49719

Edição

Seção

Pesquisa