Aspectos da saúde mestrual no contexto universitário

Autores

  • Gabrieli Menegueli Lambrine Universidade de São Paulo - USP, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - EERP, Departamento Materno Infantil e Saúde Pública. Ribeirão Preto, SP - Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5763-9719
  • Brenda Magalhaes Arantes Universidade Federal de Uberlândia - UFU. Hospital de Clínicas de Uberlância – HCU, Uberlândia, MG- Brasil. https://orcid.org/0000-0003-0337-8773
  • Mônica Maria de Jesus Silva Universidade de São Paulo - USP, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - EERP, Departamento Materno Infantil e Saúde Pública. Ribeirão Preto, SP - Brasil. https://orcid.org/0000-0002-4532-3992
  • Nayara Gonçalves Barbosa Universidade de São Paulo - USP, Escola de Enfermagem – EE, Departamento Materno-Infantil e Psiquiátrica. São Paulo, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3646-4133
  • Thais Oliveira Gozzo Universidade de São Paulo - USP, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - EERP, Departamento Materno Infantil e Saúde Pública. Ribeirão Preto, SP - Brasil. https://orcid.org/0000-0002-7687-9459

DOI:

https://doi.org/10.5935/2316-9389.2026.v30.60326

Palavras-chave:

Menstruação, Distúrbios Menstruais, Dismenorreia, Síndrome Pré-Menstrual, Produtos de Higiene Menstrual, Saúde da Mulher, Universidades, Estudantes, Saúde do Estudante, Estudo Observacional, Estudos Transversais

Resumo

Objetivo: descrever aspectos da saúde menstrual e do gerenciamento/gestão da higiene menstrual entre pessoas universitárias que menstruam. Método: estudo observacional, descritivo e transversal, realizado em ambiente virtual entre setembro de 2022 e julho de 2023, com pessoas universitárias maiores de 18 anos, matriculadas na Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário eletrônico contendo questões sociodemográficas, de saúde menstrual e de gerenciamento da higiene menstrual. Foram conduzidas análises descritivas, com cálculo de frequências e medidas de tendência central. Resultados: participaram 212 pessoas; 95,8% identificaram-se como mulheres, com média de idade de 22 anos (DP = 2,26). Dor menstrual frequente foi referida por 43,4% das participantes, e 78,8% relataram uso de analgésicos. Quanto ao impacto acadêmico, 41,0% relataram dificuldade de concentração durante a menstruação e 17,0% informaram faltar à universidade em algumas ocasiões. Em relação ao gerenciamento, 39,6% utilizaram produtos por tempo prolongado devido à falta de instalações adequadas para a troca, e 16,5% fizeram uso de material não menstrual por falta de produtos. Conclusão: a menstruação impacta de forma significativa o cotidiano e o desempenho acadêmico de pessoas universitárias, evidenciando a necessidade de intensificação de ações de educação em saúde e de estratégias institucionais que promovam a dignidade e a gestão menstrual adequada no ambiente universitário.

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Referências

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Arquivos adicionais

Publicado

25-05-2026

Edição

Seção

Pesquisa

Como Citar

1.
Lambrine GM, Arantes BM, Silva MM de J, Barbosa NG, Gozzo TO. Aspectos da saúde mestrual no contexto universitário. REME Rev Min Enferm. [Internet]. 25º de maio de 2026 [citado 26º de maio de 2026];30. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/60326