Aos destituídos, as cabeceiras

o lugar das favelas em Belo Horizonte

Autores

  • Margarete Maria de Araújo Silva Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

DOI:

https://doi.org/10.35699/2316-770X.2013.2692

Palavras-chave:

Águas urbanas, Favelas, Produção social do espaço

Resumo

Resultado das disputas capitalistas por terra, as favelas sempre se instalaram em áreas relegadas pelo mercado imobiliário formal, e em estreita relação com os cursos d’água. Tomando como contexto empírico a cidade de Belo Horizonte, este artigo discute a relação dialética entre água e favelas – fatores historicamente negligenciados e que apenas recentemente ganharam alguma prioridade nas políticas públicas. As favelas, embora representativas da precariedade e deficiências urbanas dos espaços reservados às classes destituídas, oferecem interessantes possibilidades de investigação e reflexão acerca de um padrão de urbanização já excluído da cidade formal, ancorado numa relação desalienada entre gente e água pela reincorporação à vida cotidiana dos cursos d’água despoluídos, desde as pequenas cabeceiras até os fundos de vales urbanizados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Margarete Maria de Araújo Silva, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Arquiteta. Doutora pelo NPGAU/UFMG. Professora da Escola de Arquitetura da UFMG e do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas. Membro da Associação Arquitetos Sem Fronteiras (ASF Brasil).

Referências

ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

BACON, F. Novum Organum ou verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza. São Paulo: Nova Cultural, 2005. (Coleção Os Pensadores).

BAPTISTA, M. B. et al. Aspectos da evolução da urbanização e dos problemas de inundação em Belo Horizonte. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 12., 1997. Vitória: ABRH, 1997. v. 3, p. 197-204.

BELO HORIZONTE. PREFEITURA MUNICIPAL. PROGRAMAS E PROJETOS. SANEAMENTO/DRENURBS. Programa de despoluição ambiental irá beneficiar milhares de famílias. 2001. Disponível em: <http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=programaseprojetos&tax=12065&lang=pt_BR&pg=6080&taxp=0&>. Acesso em: 18 mar. 2014.

BELO HORIZONTE. Programa Vila Viva ou Vila Morta, 2008. Disponível em: <http://www.mi-diaindependente.org/pt/red/2008/10/429697.shtml>. Acesso em: 18 mar. 2014.

BELO HORIZONTE. SECRETARIA MUNICIPAL DE POLÍTICAS URBANAS. Programa de Recuperação Ambiental de Belo Horizonte. Drenurbs. Belo Horizonte, [s.d.].

BELO HORIZONTE. SUDECAP. Canalização do Ribeirão Arrudas: indicação de obras mínimas necessárias. Jun. 1982. Mimeografado.

BELO HORIZONTE. URBEL. Vila Viva: integração das vilas à cidade. Disponível em: <http://por-talpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=urbel&tax=8178&lang=pt_br&pg=5580&taxp=0&>. Acesso em: 9 set. 2011.

BORSAGLI, A. O Vale do Córrego do Leitão em Belo Horizonte: contribuições da cartografia para a compreensão da sua ocupação. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE CARTOGRAFIA HISTÓRICA, 1., Paraty, maio 2011. Disponível em: <http://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/BORSA-GLI_ALESSANDRO.pdf>. Acesso em: 18 abr. 2011.

BOTELHO, A. Urbano em fragmento: a produção do espaço e da moradia pelas práticas do setor imobiliário. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2007.

BRITO, S. Memórias diversas. In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE; INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO (Org.). Obras completas de Saturnino de Brito. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944. v. XVIII.

BUENO, L. M. M. Projeto e favela: metodologia para projetos de urbanização. 2000. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.CARONE FILHO, J. Relatório dos Prefeitos. Belo Horizonte, 1963. Disponível em: <http://www.pbh.gov.br/arquivopublico/relatoriosdosprefeitos/1963-Jorge-Carone-Filho.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2014.

CARVALHO, E. T. Geologia urbana para todos: uma visão de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Edição do Autor, 1999.

COMPANS. R. A cidade contra a favela: a nova ameaça ambiental. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1. 2007.

DEBORD, G. Perspectivas da transformação consciente da vida quotidiana. 1961. Disponível em: <http://antivalor.atspace.com/is/transforma.htm>. Acesso em: 13 ago. 2011.

DUARTE, R. A. P. Marx e a natureza em O Capital. São Paulo: Loyola, 1995.

ENGELS, F. Do socialismo utópico ao socialismo cientifico. Lisboa: Editorial Estampa, 1974.

FEITOSA, C. Explicando a filosofia com arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

FEYERABEND, P. A ciência em uma sociedade livre. São Paulo: EdUnesp, 2011.

GARCIA, L. Tragédia anunciada. Entrevista concedida à autora pela arquiteta Laudelina Garcia, 13 nov. 2011.

GUIMARÃES, B. M. Cafuas, barracos e barracões: Belo Horizonte, cidade planejada. 1991. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), Rio de Janeiro, 1991.

LEFEBVRE, H. La production de l’espace. Paris: Anthropos, 2000.

LEFF, E. Racionalidad ambiental: la reapropiación social de la naturaleza. Buenos Aires: Siglo XXI, 2004.

KAPP, S. Quem tombará a favela? Congresso Internacional Deslocamentos na Arte. Ouro Preto, 20-23 out. 2009. p. 529-536 (Deslocamentos estéticos no espaço público). Disponível em: <http://abrestetica.org.br/deslocamentos/f07.swf>. Acesso em: 18 mar. 2014.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.

MARX, K. O Capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. Livro 1, v. I.

MÉSZÁROS, I. A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo, 2006.

MONTE-MÓR, R. L. M. Belo Horizonte: a cidade planejada e a metrópole em construção. In: MONTE-MÓR, R. L. M. (Coord.). Belo Horizonte: espaços e tempos em construção. Belo Horizonte: CEDEPLAR/PBH, 1994.

SANEAMENTO básico em Belo Horizonte: trajetória em 100 anos – os serviços de água e esgoto. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1997.

SANTOS, J. A. F. Posições de classe destituídas no Brasil. In: SOUZA, J. et al. (Col.). A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2009. Anexo I, p. 463-478.

SILVA, F. E. C. Construindo muros e derrubando barreiras, a(des)construçãodasrepresentaçõesdogê-nerofemininonotrabalhodasoperáriasdoProgramaVilaViva. 2011. 150f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2011.

SILVA, M. M. A. Água em meio urbano: favelas nas cabeceiras. 2013. 273f. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Núcleo de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo, UFMG, Belo Horizonte, 2013. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BU-OS-98SK7A?show=full>. Acesso em: 18 mar. 2014.

SOUSA SANTOS, B.; RODRÍGUEZ, C. Produzir para viver. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2002.SOUZA, J. et al. (Col.). A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2009.

SOUZA, M. L. Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2008.

SWYNGEDOUW, E. A cidade como um híbrido: natureza, sociedade e urbanização-cyborg. In: ACSELRAD, H. A duração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. p. 83-104.

TEULIÈRES, R. Favelas de Belo Horizonte. Boletim Mineiro de Geografia. Belo Horizonte, n. 1, p. 7-37, jul. 1957.

WEBER, M. Ciência como vocação. In: WEBER, M. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 1985. p. 17-52.

Downloads

Publicado

2016-04-11

Como Citar

SILVA, M. M. de A. Aos destituídos, as cabeceiras: o lugar das favelas em Belo Horizonte. Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 20, n. 2, p. 94–123, 2016. DOI: 10.35699/2316-770X.2013.2692. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/2692. Acesso em: 23 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos