Medo da morte e experiência do tempo

  • Michel Bitpol Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS
  • Patricia Kauark-Leite Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Palavras-chave: Medo da morte, Tempo, Identidade

Resumo

O medo da morte é, naturalmente, o medo fundamental, isto é, o medo do qual praticamente todos os outros medos são derivados. O medo de envelhecer pode ser visto como o medo da aproximação da morte ou como o medo da quantidade de pequenas mortes preliminares. O medo do estrangeiro pode ser visto como o medo da morte da identidade cultural, constitutiva da identidade pessoal. O medo da guerra e do conflito pode ser visto como o medo vinculado à morte da identidade nacional, à morte dos próximos e à morte individual. O medo das catástrofes ambientais também é algo que pode ser visto como um medo sintético em relação à morte individual, à morte coletiva da humanidade, como também à morte de uma identidade ampliada de estar na natureza. Pretendo aqui discutir de que modo o medo da morte baseia-se nas ameaças sofridas à nossa própria identidade face à experiência do tempo.

Biografia do Autor

Michel Bitpol, Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS

Filósofo francês e pesquisador do CNRS nos Archives Husserl, da École Normale Supérieure, Paris. Ele doutorou-se em medicina em 1980, em física em 1985 e obteve habilitação para orientar pesquisas em filosofia em 1997.
Ele foi agraciado em 1997 com o prêmio Grammaticakis-Neumann da Académie des Sciences Morales et Politiques pelo seu trabalho em filosofia da mecânica quântica.

Patricia Kauark-Leite, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Professora associada do Departamento de Filosofia da UFMG e pesquisadora do CNPq.

Referências

BITBOL, M. Mécanique quantique: une introduction philosophique. Paris: Flammarion, 1996.

BITBOL, M. Physique et philosophie de l’esprit. Paris: Flammarion, 2000.

BITBOL, M. De l’intérieur du monde. Paris: Flammarion, 2010.

BITBOL, M. La conscience a-t-elle une origine ? Paris: Flammarion, 2014.

ĆANDRAKĪRTI. Prasannapadā Madhyamakavŗtti. Trad. Jacques May. Paris: Adrien Maisonneuve, 1959.

FREUD, S. Au-delà du principe de plaisir. Trad. J. Altounian, A. Bourguignon, P. Cotet & A. Rauzy. Paris : P.U.F., 2010.

HULIN, M. La face cachée du temps. Paris:Fayard, 1985.HULIN, M. Shankara et la non-dualité, Paris : Bayard, 2001.

JANKELEVITCH, V. La mort. Paris: Flammarion, 1966.

JULLIEN, F. Un sage est sans idée. Paris: Seuil, 1998.KERR, J. A most dangerous method. New York:Vintage, 1994.

LEVINAS, E. Altérité et transcendence. Montpellier: Fata Morgana, 1995.PROUST. M. À la recherche du temps perdu II (Le côté de Guermantes). Paris: Gallimard-Pléiade, 1966.

SARTRE, J.-P. L’être et le néant. Paris: Gallimard, 1943.

SCHOPENHAUER, A. Le monde comme volonté et comme représentation, Paris: P.U.F., 1966.

SPILREIN, S. Destruction as the cause of coming into being. Journal of Analytical Psychology, 39, 155-186, 1994.

YALOM, I. Thérapie existentielle. Paris:Galaade éditions, 2008.

VARELA, F. Autonomie et connaissance: Essai sur le vivant. Paris: Seuil, 1989.

Publicado
2017-06-05
Como Citar
BITPOL, M.; KAUARK-LEITE, P. Medo da morte e experiência do tempo. Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, v. 23, n. 1 e 2, p. 20-35, 5 jun. 2017.
Seção
Artigos