Patrimônio cultural em tempos de crise

Memória, política e pandemia na América Latina

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.35699/sjpqry36

Palabras clave:

patrimônio cultural, crise, América Latina, pandemia, memória coletiva

Resumen

O artigo examina como a pandemia de COVID-19 atuou como catalisador de uma crise mais ampla na América Latina, marcada por estagnação econômica, instabilidade institucional e polarização política, configurando um cenário “pós-democrático”. Nesse contexto, a memória coletiva torna-se campo de disputa: monumentos e narrativas oficiais são contestados, ressignificados ou removidos — com o caso chileno como exemplo —, revelando patrimônios dissonantes e tensões sobre pertencimento e reconhecimento. No âmbito das políticas de patrimônio, observam-se cortes orçamentários, desmonte institucional e captura por agendas de ocasião; o Brasil ilustra esse movimento com mudanças administrativas e tentativas de reduzir o papel técnico de órgãos de proteção. O texto conclui que enfrentar a crise requer ir além da preservação material, incorporando dimensões sociais, participativas e digitais, e reivindica marcos de governança inclusivos, cooperação transnacional e mediação qualificada de conflitos, reafirmando o patrimônio como bem público e instrumento de solidariedade em tempos de incerteza.

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Publicado

2025-11-11

Cómo citar

Patrimônio cultural em tempos de crise: Memória, política e pandemia na América Latina. Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 32, n. Fluxo Contínuo, p. 1–23, 2025. DOI: 10.35699/sjpqry36. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/61427. Acesso em: 18 feb. 2026.

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