Patrimônio cultural em tempos de crise
Memória, política e pandemia na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.35699/sjpqry36Palavras-chave:
patrimônio cultural, crise, América Latina, pandemia, memória coletivaResumo
O artigo examina como a pandemia de COVID-19 atuou como catalisador de uma crise mais ampla na América Latina, marcada por estagnação econômica, instabilidade institucional e polarização política, configurando um cenário “pós-democrático”. Nesse contexto, a memória coletiva torna-se campo de disputa: monumentos e narrativas oficiais são contestados, ressignificados ou removidos — com o caso chileno como exemplo —, revelando patrimônios dissonantes e tensões sobre pertencimento e reconhecimento. No âmbito das políticas de patrimônio, observam-se cortes orçamentários, desmonte institucional e captura por agendas de ocasião; o Brasil ilustra esse movimento com mudanças administrativas e tentativas de reduzir o papel técnico de órgãos de proteção. O texto conclui que enfrentar a crise requer ir além da preservação material, incorporando dimensões sociais, participativas e digitais, e reivindica marcos de governança inclusivos, cooperação transnacional e mediação qualificada de conflitos, reafirmando o patrimônio como bem público e instrumento de solidariedade em tempos de incerteza.
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