A democracia como transformação decolonial e contra colonial possível no Brasil e na Colômbia
a urgência da justiça reparadora
DOI:
https://doi.org/10.35699/bt32n816Palabras clave:
enfoques centro-periferia, América Latina, construcción de conocimiento, eurocentrismoResumen
O artigo analisa a democracia como um processo de transformação decolonial e contra colonial na América Latina, a partir de uma comparação entre Brasil e Colômbia, em meio à policrise global do capitalismo ocidental. Partindo da recente instabilidade política — marcada pela alternância entre governos progressistas e o avanço de populistas autoritários na região —, os autores examinam as tensões entre o poder institucional do Estado (potestas) e o poder constituinte das lutas sociais (potências). Brasil e Colômbia são destacados por suas grandes populações afrodescendentes, forte tradição de mobilização social e experiências progressistas recentes. A análise concentra-se nas políticas antirracistas, na promoção da igualdade étnico-racial e na justiça reparadora como princípio estruturante de uma democracia decolonial, feminista e pluriétnica (Matos,2024). O texto argumenta que, especialmente durante a Onda Rosa, emergiram inovações democráticas que desafiam o liberalismo representativo, incorporando participação interseccional, pluralismo jurídico e novos modelos de justiça. A justiça reparadora é apresentada como justiça transformadora, fundamental para enfrentar os legados estruturais do colonialismo e da escravidão, distinguindo propostas neoliberais de reparações radicais.
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