A RELEVÂNCIA DA CATEGORIA GÊNERO E DAS RELAÇÕES SOCIAIS DE SEXO NAS DISCUSSÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO DO TRABALHO

Autores

  • Lucimara Moreira CEFET-MG
  • Ludmila de Vasconcelos Machado Guimarães CEFET-MG
  • Raquel Quirino CEFET-MG

DOI:

https://doi.org/10.17648/2238-037X-trabedu-v29n1-12168

Palavras-chave:

Divisão do Trabalho, Divisão Sexual do Trabalho, Relações Sociais de Sexo

Resumo

A mulher é apontada como a principal responsável pelo trabalho de manutenção da vida, e quando está no mercado de trabalho, acaba acumulando os serviços produtivo e reprodutivo. A partir deste entendimento propomos neste ensaio debater a importância da divisão sexual do trabalho, e relações sociais de sexo, nas discussões clássicas sobre a divisão do trabalho. Para tanto, partimos dos estudos de Smith, Durkheim, Marx e Engels sobre divisão do trabalho, passando às obras de Kergoat e Hirata sobre divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. Neste percurso foram evidenciadas aproximações entre Smith, Marx e Engels quanto à materialidade na base da formação da sociedade, sendo que Marx e Engels ampliam a discussão inserindo a exploração entre as classes, e distanciamentos entre Smith e Durkheim – enquanto um vê as trocas como elo que une as pessoas, o outro atribui à consciência da interdependência essa mesma função. Entretanto observa-se que a especificidade da condição feminina não foi considerada. A divisão sexual do trabalho demonstra que socialmente há trabalhos ditos para homens e mulheres, sendo o do homem mais valorizado. Essa divisão mostra-se como a base material que altera as relações sociais entre homens e mulheres, gerando uma tensão constante que colabora com a manutenção da desvalorização, social e econômica, das mulheres. Com isso, conclui-se que a variável gênero é relevante nas discussões sobre a divisão do trabalho e a produção e reprodução social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lucimara Moreira, CEFET-MG

Mestranda em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG. Graduada em Engenharia Mecânica pelo CEFET-MG. Integrante do Grupo de Pesquisa Formação e Qualificação Profissional (FORQUAP) no CEFET-MG. Bolsista CAPES.

Ludmila de Vasconcelos Machado Guimarães, CEFET-MG

Doutora em Administração pela UFMG. Coordenadora do Núcleo de Estudos Organizacionais Sociedade e Subjetividade (NOSS). Pesquisadora do NERHURT/PUC. Tutora do Programa de Educação Tutorial (PET) de Administração do CEFET-MG. Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração do CEFET-MG.

Raquel Quirino, CEFET-MG

Doutora em Educação pela UFMG. Mestra em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG. Graduada em Pedagogia pela UFMG. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Formação e Qualificação Profissional (FORQUAP) no CEFET-MG. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica do CEFET-MG. 

Referências

ALVES, Branca Moreira, PITANGUY, Jacqueline. O que é Feminismo? 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

ALVES, Paulo Roberto. A Divisão do Trabalho em Durkheim, Marx e Weber. Diálogos Interdisciplinares, v. 3, n. 1, p. 46-58, 2014. Disponível em: https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/43. Acesso em: 05 set. 2018.

ARAÚJO, Clara. Marxismo, feminismo e o enfoque de gênero. Dossiê Crítica Marxista. Crítica Marxista, n. 11, p. 63-70, 2000. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca-/dossie28Dossie%201.pdf. Acesso em: 05 set. 2018.

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.

BRUSCHINI, Cristina; LOMBARDI, Maria Rosa. Trabalho, educação e rendimentos das mulheres no Brasil em anos recentes. In: HIRATA, Helena. SEGNINI, Liliana. (Org.). Organização, trabalho e gênero. São Paulo: SENAC, 2007. p. 43-88.

CAETANO, Érika de Cássia Oliveira. A divisão do trabalho: uma análise comparativa das teorias de Karl Marx e Émile Durkheim. Portal de e-governo: inclusão digital e sociedade do conhecimento, [200?]. Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/divis%C3%A3o-do-trabalho-uma-an%C3%A1lise-comparativa-das-teorias-de-karl-marx-e-emile-d%C3%BCrkheim. Acesso em: 05 set. 2018.

CERQUEIRA, Hugo. Adam Smith e o surgimento do discurso econômico. Revista de economia política, v. 24, n. 3, p. 422-441, 2004. Disponível em: http://www.rep.org.br/PDF/95-7.PDF. Acesso em: 05 set. 2018.

COUTINHO, Maurício Chalfin. Lições de economia política clássica. 1990. 228f. Tese (Livre Docência). Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1990. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/285903. Acesso em: 05 set. 2018.

DINIZ, Ana Paula Rodrigues. Feminidades e masculinidades no trabalho. In: CARRIERI, Alexandre de Pádua. TEIXEIRA, Juliana Cristina. NASCIMENTO, Marco Cesar Ribeiro (Org.). Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: Edufba, 2016. p. 95-130.

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

ENDLICH, Ângela Maria. Divisão social do trabalho: breve paralelo de clássicos – Comte, Durkheim, Weber e Marx. Boletim de Geografia, v. 15, n. 1, p. 47-56, 1997. Disponível em: http://www.periodicos.uem.br-/ojs/index.php/BolGeogr/article/view/12879. Acesso em: 05 set. 2018.

GORENDER, Jacob. Introdução – O nascimento do Materialismo Histórico. In: MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, n. 5, p. 7-41, 1995. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/-ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773. Acesso em: 05 set. 2018.

HIRATA, Helena. KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de pesquisa, v. 37, n. 132, set./dez., p. 595-609, 2007. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/ojs-/index.php/cp/article/view/344. Acesso em: 05 set. 2018.

HIRATA, Helena. ZARAFIAN, Philippe. Trabalho (conceito de). In: HIRATA, Helena. LABORIE, Françoise. LE DOARÉ, Hélène. SENOTIER, Danièle (Org.). Dicionário Crítico do Feminismo. São Paulo: Editora UNESP, 2009. p. 251-256.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua. Rio de Janeiro, jan./mar.2018. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br-/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=72421. Acesso em: 05 set. 2018.

KERGOAT, Danièle. Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: HIRATA, Helena. LABORIE, Françoise. LE DOARÉ, Hélène. SENOTIER, Danièle (Org.). Dicionário Crítico do Feminismo. São Paulo: Editora UNESP, 2009. p. 67-76.

LONGINO, Helen. Epistemologia feminista. In: GRECO, John; SOSA, Ernest (Org.). Compêndio de Epistemologia. São Paulo: Edições Loyola, 2008. p.505-545.

LÖWY, Ilana. Ciências e gênero. In: HIRATA, Helena. LABORIE, Françoise. LE DOARÉ, Hélène, SENOTIER. Danièle (Org.). Dicionário Crítico do Feminismo. São Paulo: Editora UNESP, 2009. p. 40-44.

MARX, Karl. ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

PAULA, João Antônio de; CERQUEIRA, Hugo E. A. da Gama; ALBUQUERQUE, Eduardo da Motta e. Trabalho e Conhecimento: Lições de Clássicos para a Análise do Capitalismo Contemporâneo. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 419-445, jul.2016. Disponível em: http://www.journals.usp.br-/ee/article/view/117652. Acesso em: 05 set. 2018.

PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, história e poder. Revista de sociologia e política, v. 18, n. 36, p. 15-23, 2010. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/rsp/article/view/31624. Acesso em: 05 set. 2018.

QUINTANEIRO, Tania. BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira. OLIVEIRA, Marcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

QUIRINO, Raquel. Divisão sexual do trabalho, gênero, relações de gênero, e relações sociais de sexo: aproximações teórico-conceituais em uma perspectiva marxista. Trabalho e Educação, Belo Horizonte, v. 24, n. 2, p. 229-246, mai./ago.2015. Disponível em: https://seer.ufmg.br/index.php/trabedu-/article/view/7830. Acesso em: 05 set. 2018.

QUIRINO, Raquel. Mineração também é lugar de mulher! Desvendando a (nova?!) face da divisão sexual do trabalho na mineração. 2011. 289f. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8NTGLQ. Acesso em: 05 set. 2018.

RIAL, Carmen; LAGO, Mara Coelho de Souza; GROSSI, Miriam Pillar. Relações Sociais de Sexo e Relações de Gênero: entrevista com Michèle Ferrand. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v.13, n.3, set./dez.2005. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2005000300013. Acesso em: 05 set. 2018.

RIBEIRO, Ludmila Maria Batista de Brito. HANASHIRO, Darcy Mitiko Mori. Gênero e Marxismo: a abordagem das relações sociais entre sexos. In: CARRIERI, Alexandre de Pádua. TEIXEIRA, Juliana Cristina. NASCIMENTO, Marco Cesar Ribeiro (Org.). Gênero e trabalho: perspectivas, possibilidades e desafios no campo dos estudos organizacionais. Salvador: Edufba, 2016. p. 95-127.

RUBIN, Isaac Ilich. História do pensamento econômico. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2014.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovanni. Força de trabalho feminina no Brasil: no interior das cifras. Perspectivas, v. 8, p. 95-141, 1985. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/perspectivas-/article/view/1848. Acesso em: 05 set. 2018.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez.1995. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721. Acesso em: 05 set. 2018.

SELL, Carlos Eduardo. Sociologia clássica: Marx, Durkheim e Weber. Petrópolis: Vozes, 2010.

SMITH, Adam. Riqueza das Nações – investigação sobre natureza e suas causas. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996.

Downloads

Publicado

2020-05-18

Como Citar

MOREIRA, L.; GUIMARÃES, L. de V. M.; QUIRINO, R. A RELEVÂNCIA DA CATEGORIA GÊNERO E DAS RELAÇÕES SOCIAIS DE SEXO NAS DISCUSSÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO DO TRABALHO. Trabalho & Educação, [S. l.], v. 29, n. 1, p. 155–169, 2020. DOI: 10.17648/2238-037X-trabedu-v29n1-12168. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/12168. Acesso em: 23 jun. 2021.

Edição

Seção

ARTIGOS