RESISTÊNCIAS NO TRABALHO

CARTOGRAFANDO TRANSFORMAÇÕES AFETIVAS NA PANDEMIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2026.60610

Palavras-chave:

Trabalho, Pandemia, Resistência, Política, Subjetividade

Resumo

O cenário contemporâneo, marcado pela pandemia de COVID-19 que assolou o planeta no ano de 2020, colocou para a população mundial o desafio de enfrentar a situação, minimizar seus prejuízos e evitar mortes. Apesar de diferentes iniciativas de contenção, a pandemia dizimou vidas em suas dimensões físicas, sociais e afetivas. Atento a isso, o presente estudo de cunho teórico e documental teve por objetivo analisar as transformações afetivas precipitadas nessa experiência, focalizando os ensaios de resistência ao trabalho. Ancorado em autores da Filosofia, da Sociologia e da Psicologia Social, o estudo foi organizado em dois momentos: primeiro, realizou uma análise acerca da construção e legitimação histórica da moral do trabalho com seus desdobramentos nos modos de vida; na sequência, apresentou as interfaces entre a pandemia e as relações laborais em dois movimentos que envolveram a conformação e os ensaios de resistência. Ao final do estudo, enfatizamos a relevância que ganharam as ações de resistência ao trabalho em contexto pandêmico e pós-pandêmico, considerando as possibilidades de potencializar a saúde e o bem-estar de trabalhadores.

Biografia do Autor

  • Sonia Regina Vargas Mansano, Universidade Estadual de Londrina (UEL)

    Mestre e Doutora em Psicologia Clínica pela PUC/SP. Docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia e do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista Produtividade pelo CNPq - N2.

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Publicado

2026-05-05

Edição

Seção

ARTIGOS

Como Citar

RESISTÊNCIAS NO TRABALHO: CARTOGRAFANDO TRANSFORMAÇÕES AFETIVAS NA PANDEMIA. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 35, 2026. DOI: 10.35699/2238-037X.2026.60610. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/60610. Acesso em: 10 maio. 2026.