ENCARCERAMENTO FEMININO NA AMAZÔNIA PARAENSE

EXPANSÃO DO SISTEMA PRISIONAL E A VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL DE GÊNERO

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2025.59880

Mots-clés :

Encarceramento feminino, Amazônia Paraense, Sistema Prisional, Educação e Trabalho, Violência estrutural de Gênero

Résumé

Este texto decorre de parte de nossos estudos acerca dos processos históricos e educacionais em instituições prisionais localizadas na Amazônia Paraense e problematiza a expansão do Sistema Prisional no referido estado, com ênfase no aumento do encarceramento feminino. Apesar do crescimento expressivo dessa população, observa-se negligência estatal quanto às suas especificidades, traduzida na insuficiência de unidades destinadas a mulheres e nas condições assimétricas de atendimento. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada em dados do Sistema Nacional de Informações Penais (SISDEPPEN) e do portal Seap em Números (2022), dialogando com autores como Foucault (2003), Wacquant (2003), Davis (2016), Assunção (2021) e Nascimento et al. (2023). Os resultados indicam que, desde a década de 1980, a ampliação da malha prisional no Pará acompanhou o enfraquecimento das políticas sociais, configurando um processo de contenção e punição que reforça desigualdades estruturais. Referendamos um tratamento desigual às mulheres encarceradas em relação aos homens, evidenciando-se a presença de uma violência institucional de gênero que atinge de modo particular essas mulheres.  Evidencia-se, pois, a persistência de uma violência institucional de gênero, expressa na precarização das condições de vida e no duplo processo de exclusão que atinge mulheres encarceradas — frequentemente mães — pela ruptura de laços familiares e sociais. Conclui-se que a violência de gênero, em sua dimensão estrutural, é socialmente construída e perpetuada no cárcere, revelando a reprodução histórica de desigualdades e a urgência de políticas públicas específicas voltadas à efetivação de direitos e à dignidade feminina.

Biographies des auteurs

  • Sérgio Bandeira do Nascimento, Universidade Federal do Pará (UFPA)

    Doutor em Educação com graduação em História pela Universidade Federal do Pará. É docente da UFPA/FAECS/ABAETETUBA. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, História e Prisões na Amazônia. Atua principalmente nos temas Formação de Professores; Ensino de História; História da Educação; História da Psiquiatria e da Loucura; Práticas Educativas em Espaços de Privação de Liberdade.

     

  • Elizete Cardoso Assunção, UNAMA E SEDUC/PA

    Doutoranda em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Pará. Possui mestrado, especialização e graduação em Letras/ Linguística, pela Universidade Federal do Pará UFPA. É professora efetiva da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA.), por meio do Convênio com a Secretaria de Administração Penitenciária do Pará (SEAP/PA). Faz parte do corpo docente e administrativo da Faculdade Conhecimento e Ciência (FCC) e da Universidade da Amazônia (UNAMA). É membro-colaboradora do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALIB) e do Projeto Internacional Dialetopédia- variação lexical do português, no qual assume a Coordenação da Região Nordeste. É integrante do Grupo de Pesquisas Geossociolinguística e Terminologia (GEOLINTERM). É coordenadora da Região Norte do FNEPIS (Fórum Nacional de Educação em Prisões). É membro do Grupo de Pesquisas Nossa Rede - Rede de profissionais da educação que atua com pessoas em situação de restrição e privação de liberdade). É professora formadora na área de Linguagens e na área da Educação Prisional. Atua nas seguintes frentes: Sociolinguística, Ciências do Léxico, Metodologia do Trabalho Científico, Redação Oficial e na Revisão de Textos.

  • Elizama Silva Pereira, Universidade Federal do Pará (UFPA)

    Mestranda em Educação, Cultura e Sociedade (PPGED/UFPA). Bolsista PIBIC (2022-2025)

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2025-12-20

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ENCARCERAMENTO FEMININO NA AMAZÔNIA PARAENSE: EXPANSÃO DO SISTEMA PRISIONAL E A VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL DE GÊNERO. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 34, 2025. DOI: 10.35699/2238-037X.2025.59880. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/59880. Acesso em: 15 janv. 2026.