PRÁTICAS DE LEITURA EM ESPAÇOS DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

INICIATIVAS E CONQUISTAS

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2025.59878

Palabras clave:

Práticas sociais educativas, Direito fundamental, Leitura, Educação Interseccional, Espaço de privação de liberdade

Resumen

O conceito de educação ao longo da vida, em todos os espaços e nas interações entre as pessoas, anuncia possibilidades de ser mais na instituição social prisão, potencializadas por práticas sociais que promovem redes afetivas, consciência de si, do outro e do mundo (Onofre, 2015; Ireland, 2011; De Maeyer, 2011; Godinho; Julião; Onofre, 2020). O artigo que se apresenta tem a intenção de problematizar concepções, princípios e orientações normativas que anunciam possibilidades e bloqueios na garantia do Direito Humano à educação e à leitura em prisões, como práticas sociais educativas de/para a liberdade. A discussão proposta, com metodologia de caráter bibliográfico e documental, evidencia, paradoxalmente, avanços que culminam com a Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) n.º 391/2021 e cenários do cotidiano permeados por práticas conservadoras e limitações postas pela segurança. Para tanto, além de mapear normativas que consolidam uma política de leitura nos ambientes de privação de liberdade, realiza-se uma discussão analítica e interpretativa das concepções que permeiam esse espaço que ora potencializam a leitura, ora ensejam entraves para os avanços. As análises nos permitem afirmar que a confluência de práticas sociais de diferentes naturezas potencializa uma educação humanizadora e interseccional para este contexto singular e que as práticas de leitura (Petit, 2019; Zilberman, 1990; Durand; Gerbovic, 2024) permitem desenhar itinerários educativos emancipadores.

Biografía del autor/a

  • Elenice Maria Cammarosano Onofre, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

    Doutora em Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/Araraquara), Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Pedagoga pela UNESP/Araraquara. Docente Sênior do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas/UFSCar. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação/UFSCar. Coordenadora do Núcleo de Investigação e Práticas em educação nos espaços de restrição e privação de liberdade – EduCárceres/UFSCar

  • Elaine Pereira Andreatta, Universidade do Estado do Amazonas

    Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Graduação em Letras pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Professora Adjunta no Curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes (PPGLA) na Universidade do Estado do Amazonas. 

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Publicado

2025-12-20

Número

Sección

DOSSIÊ

Cómo citar

PRÁTICAS DE LEITURA EM ESPAÇOS DE PRIVAÇÃO DE LIBERDADE: INICIATIVAS E CONQUISTAS. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 34, 2025. DOI: 10.35699/2238-037X.2025.59878. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/59878. Acesso em: 15 jan. 2026.