Sequestrados pela história: O mercador de Veneza, George Tabori e a memória do Holocausto

O mercador de Veneza, George Tabori e a memória do Holocausto

Palavras-chave: Shakespeare, O mercador de Veneza, memória, Holocausto, George Tabori

Resumo

O artigo considera O mercador de Veneza, de Shakespeare, uma obra singularmente transformada pelos eventos do Holocausto, sendo frequentes as encenações em que ela se torna pretexto para recordar aqueles acontecimentos. Discute-se a peça como arquivo de trauma, para refletir sobre sua possibilidade de testemunhar as atrocidades cometidas na guerra. Para esse fim, examinam-se perspectivas variadas do conceito de trauma e suas representações, apoiando-se nas incursões de Giorgio Agamben pela aporia do testemunho. Vale-se, além disso, da noção de testemunho como um ato performativo de fala, segundo as ideias de Shoshana Felman. Finalmente, o artigo examina três adaptações distintas da peça, realizadas na segunda metade do século XX por George Tabori (1914-2007), dramaturgo e diretor judeu húngaro.

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Biografia do Autor

Maria Clara Versiani Galery, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ouro Preto, Minas Gerais

Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos da Linguagem

Linha de Pesquisa: Linguagem e Memória Cultural

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Publicado
2020-05-20
Como Citar
Versiani Galery, M. C. (2020). Sequestrados pela história: O mercador de Veneza, George Tabori e a memória do Holocausto. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 30(2), 59-78. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/21947
Seção
Dossiê – Memória e testemunho em tempos sombrios