As similitudes entre os ofícios da gente miúda e as atividades próprias da gente honrada nas crônicas de Gomes Eanes de Zurara

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Palavras-chave:

Escrita da história, Gente miúda, Literatura portuguesa, Retórica, Similitude, Gomes Eanes de Zurara

Resumo

Gomes Eanes de Zurara, segundo cronista-mor de Portugal, escreveu enquanto vigorava a longa duração da instituição retórica. Deste modo, as narrativas históricas por ele compostas eram retoricamente regradas, o que pode ser observado, por exemplo, nos usos que o cronista faz de diversos ornamentos de palavras e de pensamentos com vistas a conferir dignidade à sua elocução. Neste artigo analisamos especificamente como a similitude, um dos diversos ornamentos de sentenças prescritos por tratados de arte retórica que tinham circularidade em Portugal no século XV, é utilizada por Zurara para estabelecer paralelos entre ofícios típicos da gente miúda, geralmente tida por “baixa” e “vil”, e atividades então consideradas elevadas e honradas, características de nobres e prelados. O engenho do cronista está justamente em encontrar semelhanças em coisas díspares, como é próprio da similitude.

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Biografia do Autor

Jerry Santos Guimarães, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista, Bahia / Brasil

Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Realizou estágio de pesquisa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), em Lisboa, Portugal, através do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, financiado pela CAPES (PDSE/CAPES).

Marcello Moreira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista, Bahia / Brasil

Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP) e professor pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

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Publicado

2021-03-31

Como Citar

Guimarães, J. S., & Moreira, M. (2021). As similitudes entre os ofícios da gente miúda e as atividades próprias da gente honrada nas crônicas de Gomes Eanes de Zurara. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 31(1), 247–268. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/22048