Bertolt Brecht, o sonetista

um ciclo de sonetos eróticos entre o loben (louvar) e o vögeln (foder)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2317-2096.2025.56580

Palavras-chave:

soneto, erotismo, petrarquismo, Bertolt Brecht, Dante Alighieri, Francesco Petrarca

Resumo

Bertolt Brecht (1898-1956) escreve no início da década de 1930 um ciclo de treze sonetos nos quais uma alta carga erótica se alia à já programática combatividade política do autor e a seu radical conhecimento das tradições literárias europeias. Escritos em paralelo com os sonetos de Margarete Steffin (1908-1941), os de Brecht parecem ocupar uma posição exemplar na tensíssima, mas frutífera relação do autor com a tradição. O objetivo do presente artigo é investigar em que medida esse ciclo de sonetos (só aparentemente deslocado da obra brechtiana) seria, pelo contrário, testemunho de sua coerência poetológica ao tensionar a relação com suas referências literárias, em especial com Dante Alighieri (1265-1321) nos poemas em questão. Vale-se, para isso, da análise minuciosa e da tradução de “Das zwölfte Sonett (Über die Gedichte des Dante auf die Beatrice)” – intitulado aqui “Décimo segundo soneto (Sobre os poemas de Dante acerca de Beatrice)”.

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Biografia do Autor

  • Matheus Barreto, Universidade de São Paulo (USP) | São Paulo | SP | BR

    Professor Doutor no Departamento Letras Modernas da USP, área de Língua e Literatura Alemã, subárea de Literatura (referência MS-3, em Regime de RDIDP). Foi também Professor Temporário (Professor Contratado III - MS-3.1) na mesma instituição de 8/2023 a 2/2024. Sua tese de doutorado recebeu Menção Honrosa no Prêmio Tese Destaque USP 2023 e no Prêmio Dirce Côrtes Riedel 2023 (ABRALIC 2023). Doutor (2022, USP) em Letras na área de Língua e Literatura Alemãs, subárea Tradução (apoio CNPq [processo 164404/2018-0]; um semestre letivo em Universität Leipzig com apoio CAPES/DAAD [processo 88887.387661/2019-00; e dois meses letivos em Universität Salzburg com apoio OeAD [processo MPC-2021-00090]). Dedicou-se no doutorado ao tema 'ritmo' e à formulação do conceito da 'configuração rítmica' na análise e na tradução literárias, assim como à tradução de textos de Hans Sachs (1494-1576), Angelus Silesius (1624-1677), Sibylla Schwarz (1621-1638), Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), Rainer Maria Rilke (1875-1926), Nelly Sachs (1891-1970), Ingeborg Bachmann (1926-1973), Elfriede Jelinek (1946- ), Peter Waterhouse (1956- ) e Ann Cotten (1982- ). Foi pesquisador do projeto PROBRAL 'Aspectos da dicção em perspectiva comparada: Alemão/Português' (CAPES/DAAD, USP/Universität Leipzig - 2019-2023). Cursou Graduação em Letras Português/Alemão (2016, USP; um ano letivo em Universität Heidelberg) e Mestrado em Letras (2018, USP - apoio CAPES e FAPESP) na área de Língua e Literatura Alemãs com a dissertação 'O aspecto rítmico na tradução de cinco poemas de Ingeborg Bachmann'. Publicou os livros de poemas "História natural da febre" (Corsário-Satã, 2022), "Mesmo que seja noite" (Corsário-Satã, 2020), "Poemas em torno do chão Primeiros poemas" (Carlini Caniato, 2018) e "A máquina de carregar nadas" (7Letras, 2017). Assina como Matheus Guménin Barreto.

Referências

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Publicado

2025-09-25

Como Citar

Barreto, M. (2025). Bertolt Brecht, o sonetista: um ciclo de sonetos eróticos entre o loben (louvar) e o vögeln (foder). Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 35(3), 239-254. https://doi.org/10.35699/2317-2096.2025.56580