Questões de gênero em Machado de Assis
uma leitura de “Pai contra mãe”
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.61611Palavras-chave:
Machado de Assis, relações de gênero, formação do povo brasileiroResumo
Este ensaio apresenta uma leitura do conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis, a partir de uma discussão sobre relações de gênero. Objetiva-se demonstrar que o conto em análise é uma das mais explícitas obras machadianas no que tange à questão racial, como já discutido por autores como Eduardo de Assis Duarte e Marli Fantini Scarpelli, mas pode também oferecer uma menos abordada reflexão sobre as relações entre feminino e masculino ao longo da história do Brasil (estando a tensão entre gêneros já explícita, inclusive, logo no título do conto). Com base nas teses sobre o conto, de Ricardo Piglia, e a partir de uma comparação com o conto “A escrava”, de Maria Firmina dos Reis, este texto propõe a leitura de “Pai contra mãe” como uma alegoria para a formação do povo brasileiro.
Downloads
Referências
ALVES, Antônio Frederico de Castro. A canção do africano. In: ALVES, Antônio Frederico de Castro. Os escravos. [s. l.]: [s. n.], 1883. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000009.pdf. Acesso em: 16 out. 2021. [n. p.].
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Dom Casmurro. [1899]. In: ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959. v. 1. p. 727-870.
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. [1878]. Eça de Queirós: O primo Basílio. In: ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959. v. 3. p. 913-923.
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. [1871]. Mariana. In: ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000267.pdf. Acesso em: 12 out. 2021. [n. p.].
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. [1891]. O caso da vara. In: ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000219.pdf. Acesso em: 08 jan. 2020. [n. p.].
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. [1906]. Pai contra mãe. In: ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Relíquias de casa velha. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959. Disponível em: https://dominiopublico.mec.gov.br/download/texto/bv000245.pdf. Acesso em: 01 abr. 2026. [n. p.].
BORLOT, Ana Maria Monteiro; TRINDADE, Zeidi Araújo. As tecnologias de reprodução assistida e as representações sociais de filho biológico. Estudos de Psicologia, [s. l.], v. 9, n. 1, p. 63-70, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epsic/a/nD9MRL37xc84bQRDNz4qnFc/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 14 out. 2021.
CAPITU. Intérprete: Luiz Tatit. Compositor: Luiz Tatit. Capitu. In: O MEIO. Intéprete: Luiz Tatit. São Paulo: Dabilú Discos, 2000. 1 CD, faixa 4.
CUNHA, Maria do Carmo et al. Infertilidade: associação com transtornos mentais comuns e a importância do apoio social. Revista de psiquiatria, [s. l.], v. 30, n. 3, [n. p.], 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rprs/a/WbggvhpnBBKKtkvV9hZt74h/?lang=pt. Acesso em: 13 out. 2021.
DUARTE, Eduardo de Assis. Machado de Assis afrodescendente: antologia e crítica. 3. ed. Rio de Janeiro: Malê, 2020.
EVARISTO, Conceição. A gente combinamos de não morrer. In: EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014. p. 99-110.
FERREIRA, Jean Fabricio; PERROT, Andréa Czarnobay. A representação feminina em Machado de Assis: Helena, embrião de Capitu. Opiniães, [s. l.], v. 11, p. 111-122, 2017. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/opiniaes/article/view/137792/137383. Acesso em: 10 out. 2021.
GOMES, Karol. Brasil é nação construída em estupro de mulheres negras e indígenas por brancos europeus, aponta estudo. Hypeness, 4 nov. 2020. Disponível em: https://www.cedefes.org.br/brasil-e-nacao-construida-em-estupro-de-mulheres-negras-e-indigenas-por-brancos-europeus-aponta-estudo/ Acesso em: 30 mar. 2026.
MACIEL, Maria Eunice de Souza. A eugenia no Brasil. Anos 90, [s. l.], n. 11, p. 121-143, 1999. Disponível em: http://www.ufrgs.br/ppghist/anos90/11/11art7.pdf. Acesso em: 04 abr. 2012.
PIGLIA, Ricardo. Teses sobre o conto. In: PIGLIA, Ricardo. O laboratório do escritor. São Paulo: Iluminuras, 1994. p. 37-42.
REIS, Maria Firmina. A escrava. In: Revista maranhense, n. 3, 1887. Republicado em: REIS, Maria Firmina. Úrsula, 7. ed., 2018, p. 193-207. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/24-textos-das-autoras/977-maria-firmina-dos-reis-a-escrava. Acesso em: 13 out. 2021.
RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
ROMERO, Sílvio. Machado de Assis: estudo comparativo de litteratura brasileira. Rio de Janeiro: Laemmert C. Editores, 1897. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4476. Acesso em: 10 out. 2021.
SCARPELLI, Marli Fantini. Machado de Assis: entre o preconceito, a abolição e a canonização. Matraga - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, v. 15, n. 23, p. 55-73, dez. 2008. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/matraga/article/view/27886. Acesso em: 12 out. 2018.
SCHWARZ, Roberto. Duas meninas. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.
SOUZA, Daiane. População escrava do Brasil é detalhada em Censo de 1872. In: FUNDAÇÃO Cultural Palmares. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/populacao-escrava-do-brasil-e-detalhada-em-censo-de-1872. Acesso em: 16 out. 2021.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Isadora Almeida Rodrigues (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja The Effect of Open Access).



