O cronotopo do sagrado e a cegueira do cético
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.63197Palabras clave:
São Marcos, cronotopo, sagrado, epistemologiaResumen
Este artigo investiga o conto “São Marcos” de João Guimarães Rosa, sob a ótica da teoria do cronotopo de Mikhail Bakhtin. Analisa-se como a concepção espaço-temporal da narrativa estrutura a transformação do narrador-protagonista, deslocando-o de um ceticismo racionalista para uma violenta imersão no sagrado. O estudo mapeia a transição sequencial entre os cronotopos do arraial, da estrada, da mata e da cegueira, demonstrando que a mudança espacial corresponde a uma profunda crise epistemológica. Discute-se o embate entre a cultura letrada hegemônica e os saberes ancestrais de matriz africana, personificados na figura do feiticeiro João Mangolô. Conclui-se que a cegueira imposta ao narrador funciona como um dispositivo pedagógico que desmantela sua arrogância intelectual, forçando-o a reconhecer e apropriar-se das forças místicas do sertão para garantir sua sobrevivência.
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Referencias
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