O humano que narra
narrativas em contextos digitais e a disputa por subjetividades
Palavras-chave:
pós-humanismo, narrativas digitais, colonialismo de dados, oralidade, subjetividadeResumo
Este artigo o analisa as transformações do conceito de humano a partir da crise da narrativa na contemporaneidade digital. Enraizado na psicanálise e nos estudos pós-humanistas, especialmente na obra de Francesca Ferrando, discute como o humano deixou de ser visto como essência fixa para tornar-se uma interface em mutação. A pesquisa articula essa perspectiva com críticas ao colonialismo de dados trazidas por Sérgio Amadeu, Deivison Faustino e Walter Lippold, revelando contradições entre o ideal pós-humano de inclusão e as práticas digitais que reproduzem assimetrias epistêmicas e econômicas. Com abordagem interdisciplinar, aponta como plataformas algorítmicas moldam subjetividades, condicionando a escuta e o direito de narrar a interesses globais. A análise dialoga com autores decoloniais, como Krenak e Gonzalez, que reafirmam a oralidade como resistência frente à colonialidade do saber. O artigo conclui que narrar tornou-se um gesto político de cuidado coletivo, essencial para reimaginar o humano em meio a disputas de poder e invisibilizações digitais. Assim, propõe que a reconfiguração das narrativas seja parte de um projeto ético e político, onde escutar é tão importante quanto falar, e onde o humano que narra emerge como sujeito situado, múltiplo e em constante negociação.
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