Estudo exploratório sobre a prevalência de traumatismo dentário e obesidade em escolares de 12 anos de idade em Diamantina, Minas Gerais.

  • Paula Cristina Pelli Paiva Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
  • Haroldo Neves de Paiva Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri- UFVJM
  • Paulo Messias Oliveira Filho Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
  • Joel Alves Lamounier Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
  • Patrícia Maria Zarzar Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG

Resumo

Objetivo: O objetivo foi analisar a prevalência de traumatismo dentário em escolares com 12 anos de idade, na cidade de Diamantina, MG, avaliando ainda a associação com fatores demográficos e clínicos. Materiais e Métodos: A amostra foi composta por 101 escolares (46,5% do sexo masculino e 53,5% do sexo feminino) selecionados de escolas públicas e privadas. O exame clínico foi realizado por um dentista treinado e calibrado adotando a classificação de Andreasen et al. A condição socioeconômica foi investigada por meio
do questionário ABA-ABIPEME, renda familiar e escolaridade da mãe. A obesidade foi medida pelo índice de massa corporal (IMC= peso [kg] / altura [m2]), por sexo e idade. Foram realizadas análises de frequência e teste
de associação (p<0,05). Resultados: A prevalência de traumatismo dentário foi 33,7%, a principal lesão a fratura de esmalte (57,7%) e o tratamento mais prevalente a restauração estética com compósito (5,9%). A maioria
das crianças apresentou apenas um dente acometido (94,1%), sendo o incisivo central o dente mais afetado. O traumatismo dentário em 77,8% dos escolares ocorreu há mais de um ano. Houve associação estatisticamente significativa entre o sexo masculino Odds Ratio (OR) – 2,54 e Intervalo de Confiança (IC) 95%=1,090-5,951 (p=0,029), sobressaliência acentuada OR – 6,648 (IC95%=2,591-7,057) (p=0,001), proteção labial inadequada OR – 4,977 (IC95%=2,001-12,376) (p<0,0001) e a presença de traumatismo dentário. O traumatismo dentário não esteve estatisticamente associado à classe socioeconômica (p=0,579), escolaridade da mãe (p=0,249) e IMC (p=0,776). Conclusão: A prevalência de traumatismo dentário aos 12 anos foi elevada, estando associada ao gênero e aos fatores clínicos sobressaliência acentuada e proteção labial inadequada, porém semelhantes entre as classes ocioeconômicas e padrões nutricionais.
Descritores: Traumatismos dentários. Saúde bucal. Dentição permanente. Adolescente. Índice de massacorporal.

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Biografia do Autor

Paula Cristina Pelli Paiva, Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Haroldo Neves de Paiva, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri- UFVJM
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, Minas Gerais, Brasil.
Paulo Messias Oliveira Filho, Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Joel Alves Lamounier, Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Patrícia Maria Zarzar, Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

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Publicado
2016-06-14
Como Citar
Paiva, P. C. P., Paiva, H. N. de, Filho, P. M. O., Lamounier, J. A., & Zarzar, P. M. (2016). Estudo exploratório sobre a prevalência de traumatismo dentário e obesidade em escolares de 12 anos de idade em Diamantina, Minas Gerais. Arquivos Em Odontologia, 50(1). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/arquivosemodontologia/article/view/3648
Seção
Artigos