Desenvolvimento local e a Geografia da Exclusão
favela como subjetivo econômico
DOI:
https://doi.org/10.29327/248949.25.25-2Palavras-chave:
Políticas Públicas, Favelas, Desenvolvimento local, TerritórioResumo
Este texto propõe uma discussão sobre a favela, não como uma anomalia urbana, mas como um elemento funcional dentro de um modelo de desenvolvimento desigual que caracteriza as dinâmicas regionais e locais no Brasil. A partir da perspectiva da Geografia Econômica, busca-se analisar criticamente a favela como um espaço estratégico para o funcionamento da cidade formal, apesar de ser constantemente negligenciada em políticas de inclusão e justiça territorial. Embora seja objeto de estigmatização e invisibilização institucional, a favela constitui também um "subjetivo econômico", ou seja, um território explorado, apropriado e rentabilizado pelo sistema urbano-capitalista, sem que seus habitantes sejam plenamente reconhecidos como sujeitos de direitos ou agentes do desenvolvimento. O objetivo central do texto é evidenciar a função estrutural da favela no processo de urbanização brasileira, demonstrando como esses territórios são incorporados ao tecido urbano de forma subordinada, mas essencial. Busca-se desnaturalizar a ideia de marginalidade ao mostrar que a favela não apenas resiste à lógica da cidade formal, como também a sustenta, tanto do ponto de vista econômico quanto social. Ao fazer isso, os autores propõem um deslocamento no olhar: da favela como "problema urbano" para a favela como espaço de produção de valor e de reprodução da vida. A metodologia adotada é de caráter qualitativo e teórico, com base em revisão bibliográfica e análise crítica fundamentada nos aportes da Geografia Econômica. O texto mobiliza autores clássicos e contemporâneos para interpretar o papel da favela na dinâmica do capital urbano, considerando a apropriação desigual do território e os processos de exclusão e acumulação que marcam a urbanização nas periferias do capitalismo. Em vias de não concluir, reconhece-se que a favela, enquanto sujeito econômico e território de contradições, não se encerra em análises definitivas. Sua complexidade desafia respostas lineares, exigindo leituras múltiplas, situadas e abertas a revisões constantes

