“A lentidão que a poesia precisa”

Entrevista a Ricardo Marques por Marcus Vinícius Lessa de Lima

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/2359-0076.45.74.116–135

Palavras-chave:

Poesia portuguesa contemporânea., Poesia e exílio., Crítica de poesia.

Resumo

Esta entrevista com o poeta e tradutor português Ricardo Marques (n. 1983) inicia-se com um preâmbulo em que o autor apresenta suas principais linhas de atuação na poesia contemporânea, além de comentar o diagnóstico crítico segundo o qual a poesia e seus agentes teriam se enclausurado na Universidade. Em seguida, Marques aborda as relações entre literatura/poesia e exílio, relatando a experiência de diversos poetas – incluindo ele próprio – que deixaram Portugal por volta de 2013, em decorrência da crise político-financeira global. Sob uma perspectiva mais geral, discute ainda a validade de duas abordagens distintas sobre o exílio: uma que o interpreta como fenômeno geopolítico e biográfico, e outra que o concebe como topos filosófico. A entrevista avança com uma seção dedicada à circulação e à crítica da poesia em Portugal na atualidade, encerrando-se com reflexões sobre a recepção contemporânea da poesia portuguesa no Brasil e vice-versa.

Biografia do Autor

  • Marcus Vinícius Lessa de Lima, Universidade Estadual Paulista (UNESP) | Araraquara | SP | BR

    Sou mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde fui também professor substituto, de 2022 a 2024, no Núcleo de Estudos Clássicos (NUCLA) e no Núcleo de Teoria Literária e Literaturas de Língua Portuguesa (NUCLIT) do Instituto de Letras e Linguística (ILEEL/UFU). Atualmente, sou doutorando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Letras, Araraquara (FCLAR/UNESP) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com o projeto de pesquisa intitulado “Pasárgadas particulares: utopia pessoal, ‘exílio’ e lugar de refúgio na poesia de Max Martins e Leonardo Fróes”.

    Meus interesses de pesquisa principais são: poesia moderno-contemporânea brasileira e portuguesa, intermidialidade, poesia visual, poesia experimental, poesia concreta, surrealismo, tradução de poesia, literatura e paisagem, literatura e exílio, literatura e utopia, literatura e caminhada, crítica literária e teoria da poesia.

  • Ricardo Manuel Fernandes Marques, Universidade Nova de Lisboa (UNL) | Lisboa | PT

    É poeta e tradutor, tendo traduzido para português, entre dezenas de outros poetas, Anne Carson, Billy Collins e Patti Smith. Doutorou-se em 2010 com uma tese de doutoramento intitulada “Na teia do poema - um percurso intertextual na obra poética de Nuno Júdice”, posteriormente editada em livro em 2013. Fez pós-doutoramento no IELT-NOVA, entre 2015 e 2021, no âmbito das Revistas Literárias e Artísticas do Modernismo Português (1910-1926), do qual resultou, entre outros, os volume Tradição e vanguarda. Revistas literárias do Modernismo (1910-1926), Biblioteca Nacional de Portugal, 2020. Publicou em 2021 a antologia Já não dá para ser moderno (Flan de Tal), onde propõe a leitura de seis poetas portugueses de agora. Também nesta editora organizou e fez publicar o volume comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, intitulado Direito de Resposta – 25 poetas nascidos depois do 25 de Abril conversam com poetas do passado.

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Publicado

2026-01-30

Como Citar

“A lentidão que a poesia precisa”: Entrevista a Ricardo Marques por Marcus Vinícius Lessa de Lima. (2026). Revista Do Centro De Estudos Portugueses, 45(74), 116–135. https://doi.org/10.17851/2359-0076.45.74.116–135