Estéticas dissidentes e escritas subversivas

o grafite/corpo/territograma de María Galindo e Mujeres Creando

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/1982-0739.30.3.9-34

Palavras-chave:

contra-arquivo, dissenso, grafite, literatura feminista

Resumo

Este artigo analisa a produção estética e política do coletivo boliviano Mujeres Creando e de María Galindo, explorando o grafite como dispositivo e contradispositivo, máquina desejante e máquina de guerra. Partindo da noção foucaultiana de conduta e contraconduta e da concepção rancièreana de política como dissenso, intentamos compreender o grafite como prática insurgente que articula corpo, território e desejo. Em diálogo com ações performáticas, inscrições urbanas e espaços autogestionados, propomos a categoria de grafite/corpo/territograma para nomear inscrições que excedem o estatuto de texto ou imagem, constituindo assemblagens estético-políticas. Mais do que um objeto a ser legitimado, o grafite feminista de María Galindo e Mujeres Creando opera como escritura que reorganiza regimes de visibilidade e desestabiliza hierarquias, configurando uma estética dissidente orientada por práticas feministas autônomas e pela multiplicidade dos sujeitos que as sustentam.

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Publicado

2026-03-18

Edição

Seção

Teoria, Crítica Literária e Outras Mídias

Como Citar

ESCAFFI, Yamil; AMIM, Valeria. Estéticas dissidentes e escritas subversivas: o grafite/corpo/territograma de María Galindo e Mujeres Creando. Em Tese, Belo Horizonte, v. 30, n. 3, p. 9–34, 2026. DOI: 10.17851/1982-0739.30.3.9-34. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/emt/article/view/62198. Acesso em: 26 mar. 2026.