Um jogo de desvelar e velar
o implícito na poesia de Ana Martins Marques
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.%25pPalavras-chave:
Poesia brasileira contemporânea, Ana Martins Marques, Implícito, SeduçãoResumo
Este artigo investiga as implicações dos gestos de exibição e ocultamento na poesia de Ana Martins Marques. Com frequência, a poeta narra e descreve cenas de maneira lacunar, deixando implícita parte de suas tramas. Com isso, o leitor é estimulado a imaginar o que não foi dito em relação às recordações e vivências transmitidas pelos poemas, envolvendo-se no ato de cocriar. Contudo, a presença do implícito na poesia de Marques aponta igualmente para uma utilização performativa da linguagem, mais interessada em produzir imagens, que bastam por si mesmas em sua incompletude, do que se alinhar a uma orientação referencial e funcionalmente comunicativa. Desse modo, os lapsos intencionalmente projetados pela poeta adentram a sua experiência estética, dispensando a completude do sentido. Em suma, este estudo examina, de duas formas, o emprego do conteúdo implícito na lírica da poeta, mobilizando formulações referentes à sedução, que consiste precisamente no disfarce e na produção de aparência.
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