De uma poética da ruína a uma ética da sobrevivência

uma leitura da obra poesia alguma, de josé g.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17851/1982-0739.32.1.131-151

Palavras-chave:

poética do resto, ética da sobrevivência, poesia brasileira contemporânea

Resumo

O artigo propõe uma leitura de poesia alguma (2023), de josé g., tomando o resto como eixo temático, formal, ético e existencial da obra. A escrita se organiza por cortes, pausas e reaparições que deslocam tradições líricas, épicas e filosóficas para a ruína, o fragmento e o caco. Esse procedimento surge como modo de habitar o tempo após o esgotamento de narrativas totalizantes. Nesse contexto, o trabalho com a biblioteca, a tradução e a memória literária reinscreve o passado sob o signo do desgaste, convertendo restos em princípio de composição e leitura. O épico, esvaziado de monumentalidade, reaparece atravessado pela dor comum, enquanto o cotidiano se afirma como campo de atenção e falha no interior de um cânone em ruínas. Ao recusar essências estáveis e expor os limites da linguagem, a obra elabora uma ética da sobrevivência fundada na escuta e na permanência precária, articulando poesia, pensamento e experiência na contemporaneidade brasileira.

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Biografia do Autor

  • Aghata Kelma Palacio Gomes, Universidade Federal do Ceará (UFCE)

    Mestra e Doutoranda em Odontologia do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal do Ceará (PPGO-UFC), Departamento de Odontologia Restauradora (DOR), Fortaleza, Ceará, Brasil. 

  • Nataly Pinho Chaves, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

    Mestra em Literatura Comparada (UFC) e Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Departamento de Ensino, Aracati, Brasil

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Estudos Literários

Como Citar

PALACIO, Aghata; PINHO, Nataly. De uma poética da ruína a uma ética da sobrevivência: uma leitura da obra poesia alguma, de josé g. Em Tese, Belo Horizonte, v. 32, n. 1, p. 131–151, 2026. DOI: 10.17851/1982-0739.32.1.131-151. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/emt/article/view/65396. Acesso em: 29 set. 2026.