Uma voz à margem
o testemunho da personagem Nina em Crônica da casa assassinada (1959)
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.31.2.31-47Palabras clave:
Literatura de Testemunho, Crônica da Casa Assassinada (1959), Lúcio CardosoResumen
O presente trabalho analisa o romance Crônica da casa assassinada (1959), de Lúcio Cardoso (1912-1968), a partir da escrita da personagem Nina, compreendida como forma de testemunho diante da violência simbólica imposta pelo patriarcado rural mineiro de meados do século XX. Busca-se evidenciar como sua voz, relegada à margem e não acolhida pela memória familiar, confronta as narrativas dominantes e tensiona a estrutura de poder que organiza a casa. Examina-se, ainda, de que modo a fragmentação do relato de Nina, marcada por memórias descontínuas, relaciona-se ao caráter traumático do testemunho, conforme discutido por Seligmann-Silva (2003, 2022). A análise fundamenta-se nos estudos de Márcio Seligmann-Silva (2003, 2022), Judith Butler (2025) e Martins (2003), cujas reflexões permitem compreender o modo como a escrita de Nina insurge-se contra as estruturas de poder impostas pelo patriarcado.
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