A arte dos escrevinhadores: ofícios cotidianos com o futebol

Conteúdo do artigo principal

Bernardo Borges Buarque de Hollanda

Resumo

Apresentação do v. 2, n. 3, set.-dez., 2017.


 


O tema da seção Dossiê desta edição da revista FuLiA / UFMG é Crônica esportiva no Brasil: história e narrativa. Dos gêneros literários – romance, conto, novela, poesia – a crônica é sem dúvida aquele que mais se entrosou com a prática e com o dia a dia do futebol. A liberdade de expressão e a abertura temática – a abrigar o ficcional e o realístico, o anedótico e o sublime, o coloquial e o pedante, o campo de jogo e o extracampo – souberam combinar-se às limitações de espaço concedidas tradicionalmente pelos jornais a esse subgênero cognominado de crônica esportiva.


A crônica esportiva, como se sabe, decalcou-se e emancipou-se da crônica, à medida que o futebol profissional e que as demais modalidades esportivas popularizaram-se e massificaram-se no século XX. O decalque e a emancipação ocorreram também graças ao desenvolvimento dos próprios jornais, que se tornaram periódicos exclusivos de esportes, ampliando a cobertura e as divisões internas do jornalismo esportivo. A crônica esportiva assim fixou-se no interior dos jornais, ao lado das reportagens jornalísticas, dos editoriais, das charges, das fotografias e das cartas dos leitores, que compõem a maior parte dos periódicos voltados às práticas poliesportivas.


A presença longeva e regular da crônica esportiva na imprensa brasileira, seja ela os periódicos gerais ou os jornais específicos de esportes, chamou a atenção da Academia, no momento em que o meio acadêmico se voltou ao estudo do futebol no Brasil, em fins dos anos 1970 e princípios dos anos 1980. Enquanto o interesse das Ciências Sociais pela história esportiva acionou os periódicos como fontes de informação, as áreas de Letras e de Comunicação se interessaram pelo futebol como “fenômeno linguístico”. Sendo assim, era incontornável passar pela crônica e por sua dimensão discursiva na narrativa e na apreensão do objeto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
DE HOLLANDA, B. B. B. A arte dos escrevinhadores: ofícios cotidianos com o futebol. FuLiA/UFMG , Belo Horizonte/MG, Brasil, v. 2, n. 3, p. 3–8, 2018. DOI: 10.17851/2526-4494.2.3.3-8. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/fulia/article/view/13837. Acesso em: 16 jun. 2024.
Seção
APRESENTAÇÃO
Share |

Referências

ALMEIDA, Rosângela de Sena. De Copa a Copa: memórias do estádio de futebol do Maracanã. Tese (Doutorado em Memória Social) – UNI-Rio, Rio de Janeiro, 2014.

BANCHETTI, Luciano Deppa. Memórias em jogo: futebol, seleção brasileira e as Copas do Mundo de 1950 e 1954. Dissertação (Mestrado em História Social) – PUC-Rio, São Paulo, 2011.

BRAUNER, Eugênio. Entre as quatro linhas: da crônica sobre o futebol ao colunismo esportivo ou da profissionalização do futebol e do cronista. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – UFRGS, Porto Alegre, 2010.

CAPRARO, André Mendes. Identidades imaginadas: futebol e nação na crônica esportiva brasileira do século XX. Tese (Doutorado em História) – UFPR, Curitiba, 2007.

CAPRARO, André Mendes (et.al.). A crônica esportiva de José Lins do Rego: política, paixão e relações de força. Revista Brasileira de Educação Física e do Esporte, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 323-333, jun. 2016.

CAPRARO, André Mendes (et.al.). Copa do Mundo de 1950: a imprensa e os jogos realizados em Curitiba. Esporte e Sociedade, Rio de Janeiro, n. 14, mar.-jun. 2010.

CLEMENTE, Rafael William. Maracanã: espaço e representação entre torcedores de futebol. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro, 2016.

COUTINHO, Edilberto. Zélins, Flamengo até morrer! Rio de Janeiro: s.e., 1995.

COUTO, André Alexandre Guimarães. Cronistas esportivos em campo: letras, imprensa e cultura no Jornal dos Sports. Tese (Doutorado em História) – UFPR, Curitiba, 2016.

COUTO, Euclides; LAGE, Marcus Vinícius Costa. Representações do nacionalismo em tempos de Copa do Mundo: um estudo sobre a ‘grande imprensa’ mineira (1949). Revista Recorde, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 1-7, jun. 2016.

FRAGA, Gérson Wasen. A “derrota do Jeca” na imprensa brasileira: nacionalismo, civilização e futebol na Copa do Mundo de 1950. Tese (Doutorado em História) – UFRGS, Porto Alegre, 2009.

FREITAS JR., Miguel Archanjo. No meio do caminho: tensões presentes nas representações sobre o futebol e o ideal de modernidade brasileira na década de 1950. Tese (Doutorado em História) – UFPR, Curitiba, 2009.

FREITAS JR., Miguel Archanjo. Copa do Mundo de 1950: a cultura da desculpa como justificativa de um fracasso. In: FREITAS JR., M. A.; CAPRARO, A. (Org.). Passe de letra: crônica esportiva e sociedade brasileira. Ponta Grossa: Editora Vila Velha, 2012.

GALVÃO, Walnice Nogueira. No calor da hora: a guerra de Canudos nos jornais. São Paulo: Editora Ática, 1974.

GUIMARÃES, Manuel Salgado. Futebol, sonho e decepção. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 13, n. 23, p. 209-213, jul. 1999.

HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. O descobrimento do futebol: modernismo, regionalismo e paixão esportiva em José Lins do Rego. Rio de Janeiro: Edições Biblioteca Nacional, 2004.

Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 1946-1950 [Seleção].

MACHADO, Felipe Morelli. Bola na rede e povo nas ruas! Estado Novo, imprensa esportiva e torcedores na Copa do Mundo de 1938. Dissertação (Mestrado em História) – PUC-Rio, São Paulo, 2011.

MOURA, Gisella de Araújo. O Rio corre para o Maracanã. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1998.

O Globo, Rio de Janeiro, 09 maio 1947, 2ª seção da edição vespertina, p. 1.

PACHECO, Leonardo Turchi. Memórias da tragédia: masculinidade e envelhecimento na Copa do Mundo de 1950. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, Florianópolis, v. 32, n. 1, p. 25-40, nov. 2010.

PRADO, Prado. Retrato do Brasil – ensaio sobre a tristeza brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

REGO, José Lins do. O caráter do brasileiro. In: ______. Flamengo é puro amor. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.

REGO, José Lins do. O caráter do brasileiro. In: ______. O vulcão e a fonte. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1958.

RODRIGUES FILHO, Mário. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2003.

SANTOS, Natasha. O futebol em Nelson Rodrigues: uma pesquisa historiográfica acerca de literatura e identidade nacional. In: FREITAS JR., M. A.; CAPRARO, A. (Org.). Passe de letra: crônica esportiva e sociedade brasileira. Ponta Grossa: Editora Vila Velha, 2012.

SARMENTO, Carlos Eduardo. A construção da nação canarinho: uma história institucional da seleção brasileira de futebol, 1914-1970. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013.

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SILVA JUNIOR, César Roberto de Lima. Maracanã, in memoriam. TCC (História, Memória e Patrimônio) – Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2014.

VIEIRA, Evaldo. A República brasileira, 1951-2010: de Getúlio a Lula. São Paulo: Editora Cortez, 2015.

VILHENA, Luís Rodolfo. Projeto e missão: o movimento folclórico brasileiro. Rio de Janeiro: Funarte/Fundação Getúlio Vargas, 1997.

VOGEL, Arno. O momento feliz: reflexões sobre o futebol e o ethos nacional. In: DaMATTA, R. (et. al.). Universo do futebol. Rio de Janeiro: Edições Pinakotheque, 1982.