O futebol e a sociedade brasileira em crônicas de Luis Fernando Veríssimo

Conteúdo do artigo principal

Carlos Costa

Resumo

Um conjunto de crônicas de Luis Fernando Veríssimo enfoca o futebol na esteira da vida cotidiana no Brasil como tema derivante de aspectos ligados ao “autoritarismo socialmente implantado” (Pinheiro, 1991). A crônica “Recapitulando” foi possivelmente escrita às vésperas da Copa do Mundo de 1998. As crônicas “Marginais vermelhos”, “Memória”, “Respire fundo”, “Os omissos” e “Desilusões”, foram publicadas no contexto das eleições presidenciais de 2018. O presente estudo enfatiza a relação entre essas crônicas e a memória da ditadura militar de 1964. Apresenta o ambiente político das eleições de 2018 e alguns elementos próprios do autoritarismo que emergem dos textos como traços sintomáticos de uma fantasmagoria do terror. Portanto, o objetivo é examinar a maneira como traços da estrutura social brasileira, a exemplo da violência de estado e do autoritarismo, são articulados com o futebol e processos políticos recentes. O explícito diálogo entre futebol e literatura, realizado por meio do humor característico da crônica de Veríssimo, enseja a possibilidade de melhor compreender o modo como a sociedade brasileira se relaciona com seu passado ditatorial e a maneira como esse passado insiste em se fazer presente nos dias atuais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
COSTA, C. O futebol e a sociedade brasileira em crônicas de Luis Fernando Veríssimo. FuLiA/UFMG , Belo Horizonte/MG, Brasil, v. 9, n. 2, p. 145–158, 2024. DOI: 10.35699/2526-4494.2024.49368. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/fulia/article/view/49368. Acesso em: 14 jul. 2024.
Seção
DOSSIÊ
Share |

Referências

BOSI, Alfredo. “Narrativa e resistência”. In: ______. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 118-135.

BRAIT, Beth. Ironia em perspectiva polifônica. 2ª ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008.

CANDIDO, Antonio. “A vida ao rés do chão”. Revista Suplemento. Edição Especial: A maioridade da crônica. Org.: Humberto Werneck. Secretaria de Estado de Cultura. Belo Horizonte, 2012, p. 34-37.

PINHEIRO, Paulo Sérgio. “Autoritarismo e transição”. Revista USP, 1991.

TELES, Edson; SAFATLE, Vladimir. “Apresentação”. In: ______. (Orgs.). O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo, 2010.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. “Recapitulando”. In: ______. Time dos sonhos: paixão, poesia e futebol. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, pp. 109-115.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Marginais vermelhos. Estadão. São Paulo, 04 nov. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3RrRniu. Acesso em: 01 dez. 2018.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Memória. Estadão. São Paulo, 20 set. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3RoMuGI. Acesso em: 10 nov. 2018.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Respire fundo. O Globo. Rio de Janeiro, 02 out. 2018. Disponível em: http://glo.bo/4cfSBFa. Acesso em: 10 nov. 2018.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Os omissos. O Globo. Rio de Janeiro, 01 nov. 2018. Disponível em: http://glo.bo/4bWFxF2. Acesso em: 10 nov. 2018.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. Desilusões. Estadão. São Paulo, 08 nov. 2018. Disponível em: https://bit.ly/4cliNOG. Acesso em: 10 nov. 2018.

VIOLA, Paulinho da. “Dança da solidão”. In: ______. A dança da solidão (Disco). Odeon, 1972.