Da Caravela a São Januário o antilusitanismo, o Vasco da Gama e a (re)construção da identidade portuguesa no Rio da Primeira República

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João Pedro Lima de Souza
André Nunes de Azevedo

Resumo

O presente artigo investiga o antilusitanismo no Rio de Janeiro da Primeira República e o papel do Club de Regatas Vasco da Gama na (re)construção da identidade portuguesa na cidade. Partindo da análise de algumas fontes documentais, como atas, periódicos, festas, rituais e arquitetura, o estudo busca compreender como o clube transformou estigmas sociais em capitais simbólicos, articulando portucalidade e brasilidade. Sustentado por referenciais teóricos de Pierre Bourdieu e Max Weber, examina-se o Vasco como espaço de reconversão simbólica e de resistência cultural, capaz de articular herança lusa e integração na sociedade carioca. Conclui-se que a agremiação funcionou como ponte identitária, demonstrando que a cultura nacional se constrói como um mosaico inclusivo.

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Seção

DOSSIÊ

Biografia do Autor

João Pedro Lima de Souza, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, Brasil

Mestrado em História Política e Sociedade, UERJ  

André Nunes de Azevedo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, Brasil

Doutorado em História Social da Cultura, PUC-Rio

Como Citar

Da Caravela a São Januário: o antilusitanismo, o Vasco da Gama e a (re)construção da identidade portuguesa no Rio da Primeira República. FuLiA/UFMG , Belo Horizonte/MG, Brasil, v. 10, n. 3, p. 127–148, 2025. DOI: 10.35699/2526-4494.2025.v10.59423. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/fulia/article/view/59423. Acesso em: 15 jan. 2026.

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