O amigo do meu inimigo é meu amigo? Violências no futebol brasileiro e alianças entre Torcidas Organizadas

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Nicolás Cabrera
Raquel de Oliveira Sousa
João Vitor Cardoso Sudário

Abstract

O presente artigo analisa as dinâmicas de violência envolvendo Torcidas Organizadas no contexto do futebol brasileiro. Para tanto, recorre ao conceito de “síndrome de beduíno”, fundamentado em lógicas relacionais de amizade e inimizade entre os grupos referidos. A pesquisa, conduzida pelo Observatório Social do Futebol (UERJ), apresenta um mapeamento inédito de 52 Torcidas Organizadas, distribuídas em cinco grandes alianças nacionais, por meio de uma cartografia digital interativa e em constante atualização. A partir desse recurso cartográfico, investigam-se as formas pelas quais essas redes influenciam práticas de sociabilidade, mobilidade territorial e a ocorrência de episódios violentos. O texto percorre a genealogia da categoria “síndrome de beduíno”, detalha a metodologia empregada na elaboração do mapa e discute os principais resultados obtidos. Trata-se de uma contribuição original e interdisciplinar, que propõe uma ferramenta analítica e aplicável ao planejamento de políticas públicas e à gestão de conflitos no âmbito do futebol brasileiro.

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Sezione

DOSSIÊ

Biografie autore

Nicolás Cabrera, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor em Ciências Antropológicas pela Universidad Nacional de Córdoba (UNC). Pesquisador de pós doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e bolsista do Programa de Apoio à 
Fixação de Jovens Doutores no Brasil, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio 
de Janeiro (FAPERJ) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É 
um dos fundadores do Observatório Social do Futebol e coordenador da linha de pesquisa “Violências e 
Convivências no Futebol”. Também atua como pesquisador no Laboratório de Estudos em Mídia e 
Esporte (LEME) da UERJ.

Raquel de Oliveira Sousa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Possui graduação em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2015) e mestrado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2021). Atualmente está cursando o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPCIS/UERJ). Tem experiência na área de Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: policiamento, eventos esportivos, segurança, estádios e administração de conflitos. Também é pesquisadora do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ) e uma das fundadoras do Observatório Social do Futebol (UERJ). 

João Vitor Cardoso Sudário, Universidade Federal Fluminense

Mestrando em Geografia no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense (POSGEO/UFF). Membro do Núcleo de Estudos sobre o Território e Resistências na Globalização (NUREG/UFF). Bolsista de Mestrado Nota 10 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). É pesquisador do Observatório Social do Futebol (UERJ) e integrante do grupo de estudos Mundo dentro e fora das 4 linhas (MDF4L).

Come citare

O amigo do meu inimigo é meu amigo? Violências no futebol brasileiro e alianças entre Torcidas Organizadas. FuLiA/UFMG , Belo Horizonte/MG, Brasil, v. 10, n. 2, p. 42–61, 2025. DOI: 10.35699/2526-4494.2025.v10.58957. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/fulia/article/view/58957. Acesso em: 15 jan. 2026.

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