v. 6 n. 10 (2012): Ética e estética no arquivo da literatura judaica

Detalhe de "Abraão e Sara", de Vlad Eugen Poenaru

Apresentação

Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

Enquanto a estética parece apontar para uma dimensão plural da obra de arte e da literatura, como uma espécie de liberdade infinita e ilimitada, a ética tende a submeter a criação artística a uma reflexão filosófica sobre a moral e o direito. Nesse sentido, este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG pretende refletir sobre quais seriam as possibilidades de articulação do belo e do sublime, em suas múltiplas nuances, com a ética, bem como sobre os desafios que a literatura, na contemporaneidade, teria nos tênues limites entre ética e estética. A literatura judaica ao tratar de temas caros tanto à ética quanto as preocupações estéticas possibilita uma reflexão importante sobre esse debate na contemporaneidade. A literatura israelense e da diáspora, por exemplo, com sua representação sobre guerra e violência; o desdobramento dos testemunhos e memórias sobre a Shoah, em narrativas ficcionais; as várias faces do feminino e da infância, bem como as relações, na maioria das vezes tensas, entre o sagrado e o profano também tornam esse debate mais instigante e importante. Como se dá, por exemplo, o humor, a ironia e a sátira em narrativas sobre a Shoah? Como a literatura de imigração, as memórias e as biografias se articulariam com a dimensão ética da literatura judaica? Quais seriam os limites a serem preservados e quais aqueles que devem ser transgredidos? Como se articulariam as vozes da mulher e da infância em narrativas em que a ética e a estética estejam sendo construídas em espaços limítrofes? Essas e outras questões do universo literário judaico são objeto de discussão neste número.

Publicado: 2012-03-30

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