O corpo feminino como território de conflito
virgindade, poder e moralidade em narrativas bíblicas
DOI:
https://doi.org/10.35699/1982-3053.2025.61971Palavras-chave:
Condição feminina, Narrativa bíblica, Controle sexualResumo
A narrativa bíblica reúne diversos episódios que, em uma primeira leitura, parecem estabelecer interdições morais relacionadas à sexualidade quase sempre recaindo sobre a mulher como nos episódios envolvendo Tamar , Diná, as filhas de Ló, Sodoma e Gomorra e Betsabá. Fundamentado nas reflexões de Yvonne Knibiehler, em História da Virgindade, e Fabrice Hadjadj, em A Profundidade dos Sexos, este artigo tem como objetivo elencar elementos para uma releitura crítica destas passagens, tradicionalmente, associadas à imoralidade sexual. Argumenta-se que há interpretações que distorcem o sentido bíblico ao submeter a mulher a dispositivos de controle patriarcal, reduzindo-as à função procriadora e patrimonial. Em diálogo com a literatura judaica contemporânea, sugere-se compreender o corpo feminino como território simbólico de conflito, onde desejo, pecado e poder se entrecruzam. Ao mesmo tempo, aponta-se que essas narrativas, lidas em chave crítica, abrem espaço de resistência e ressignificação, contribuindo para debates atuais sobre corpo, desejo, espiritualidade e sexualidade feminina.
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Referências
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