Escolhas Trágicas e Justiça no Orestes de Eurípides
DOI:
https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.58752Palabras clave:
Eurípides, Orestes, justiça, escolhas trágicasResumen
O interesse pelos estudos clássicos tem sido uma constante na história humana, mormente no direito, onde os juristas atualmente estão perplexos com a crescente demanda de casos que na filosofia moral conhecemos por escolhas trágicas desde Aristóteles; suas academias, depois de uma crise profunda da teoria jurídica ocorrida no pós-guerras, têm dialogado abertamente com os poetas. Estudos aprofundados em relação à tragédia, porém, ainda são escassos. O objetivo deste ensaio, portanto, será o estudo de Orestes (408 a.C.), de Eurípides, focalizando especificamente a ideia de justiça que atravessa a circunstância experimentada pelo jovem, a saber, o julgamento pelo crime de matricídio e a perda de confiança, nos deuses e no tribunal. A metodologia utilizada é de natureza bibliográfica, cotejando a peça com a crítica especializada, com os estudos jurídicos sobre a culpa e as discussões contemporâneas sobre a justiça. Diante da obra pode-se, de imediato, perceber que se trata de um exemplo clássico de escolhas trágicas: a Orestes compete vingar o pai ou perdoar a mãe, Clitemnestra, pelo assassinato de Agamêmnon, seu pai. Orestes acata sua predestinação estabelecida pelos deuses, resiste à desdita, assume-se matricida; todavia, não se pode dizer que ocorra, a rigor, uma culpa do agente, visto que foi encorajado – e apoiado – por Apolo. Concluímos depois desse esforço que, mesmo se tratando de uma peça de difícil intepretação, ela tem muito a contribuir com a atualidade, não somente por descrever um autêntico caso trágico, mas também por colocar outros desafios ao pensamento jurídico atual.
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Referencias
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