Escritas do comum em Silviano Santiago e Mario Bellatin
DOI:
https://doi.org/10.17851/2358-9787.34.4.%25pPalavras-chave:
literatura, biopolítica, comumResumo
O artigo propõe analisar as formas de encenação do comum nas obras Machado, de Silviano Santiago, e Flores, de Mario Bellatin. Propõe-se uma leitura comparativa das duas obras com o objetivo de abordar como esses textos incorporam elementos da arte e da comunicação contemporânea para encenar subjetividades inseridas em dimensões do comum. Assim, a apropriação de formas estéticas e comunicacionais contemporâneas possibilita a construção de textualidades que funcionam por um movimento relacional, de maneira que os sujeitos vivem o comum ao estabelecerem contato com uma exterioridade capaz de expropriá-los de parâmetros identitários. A figura do escritor se contamina com o universo ficcional, expondo fragmentos de sua vida para se colocar também no movimento de expropriação subjetiva de si. Por fim, esses processos de despersonalização são vividos em contextos marcados por atuações biopolíticas do poder, cuja violência se revela na produção e imposição de modos de fazer viver.
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