O presente artigo pretende expor superficialmente alguns avanços
epistemológicos acerca do uso do método para alcançar a verdade científica,
considerando-se perspectivas pontuais de Descartes, Bacon e Hobbes ao longo da
modernidade. Tanto o método proposto por Renè Descartes (1596-1650) quanto o por
Francis Bacon (1561-1625) visavam primordialmente orientar qual seria o uso adequado
da razão e dos sentidos nos processos epistemológicos. A partir do bom uso da razão, no
caso cartesiano, e de ambos no caso baconiano, obtermos fundamentos sólidos para
investigação de verdades, especialmente as que condizem com a ciência. Com Francis
Bacon e Thomas Hobbes (1558-1679) verificaremos avanços quanto ao uso
epistemológico do método, todavia, ainda insuficientes para lidar com o que intitularemos
por “problema do espaço epistêmico”. Contudo, tentaremos sustentar que as maiores
inovações acerca do uso epistemológico do método foram feitas de fato por Gottlob Frege
(1848-1925), em sua Conceitografia. A partir disto, demonstraremos como podemos
considerar a conceitografia fregeana como uma espécie de “continuidade” do método
cartesiano.