A estética Kantiana e o cinema transcendental
Palavras-chave:
Kant, Cinema, Escola de Frankfurt, Esquematismo, ReflexãoResumo
Partindo da ideia de que muitos dos preceitos da estética kantiana podem ser vistos como um importante instrumento de análise da produção cultural contemporânea, destacamos os aspectos críticos e reflexivos do juízo de gosto kantiano a fim de distingui-lo, tal como Kant procede em sua 3ª crítica, dos juízos determinantes. Estes juízos, ligados principalmente à atividade do conhecimento, são marcados, dentro da estrutura transcendental kantiana, pela necessidade e objetividade de suas asserções, na medida em que se referem justamente àquilo que é necessariamente fornecido pelo sujeito transcendental na constituição da experiência. Porém, a própria análise kantiana das estruturas transcendentais que constituem a experiência de conhecimento encontra limites, e este é o caso da doutrina do esquematismo. É justamente aí onde aparece a crítica empreendida pelos pensadores de Frankfurt. Encontramos em vários textos de Adorno, Benjamin e Horkheimer a ideia de que os modos próprios com que o sujeito constitui a sua experiência são, eles mesmos, condicionados por instâncias que escapam ao sujeito. O cinema, entendido como mero produto industrial, aparece nestes autores como uma destas instâncias. Acreditamos, porém, que o modo próprio com que a atividade de esquematizar atua no juízo de gosto kantiano pode apontar para outras possibilidades.
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