Artigos
Vol. 1 No 1 (2014): 2º Semestre de 2014
A estética Kantiana e o cinema transcendental
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Soumis
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avril 7, 2026
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Publiée
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2026-04-07
Résumé
Partindo da ideia de que muitos dos preceitos da estética kantiana podem ser vistos como um importante instrumento de análise da produção cultural contemporânea, destacamos os aspectos críticos e reflexivos do juízo de gosto kantiano a fim de distingui-lo, tal como Kant procede em sua 3ª crítica, dos juízos determinantes. Estes juízos, ligados principalmente à atividade do conhecimento, são marcados, dentro da estrutura transcendental kantiana, pela necessidade e objetividade de suas asserções, na medida em que se referem justamente àquilo que é necessariamente fornecido pelo sujeito transcendental na constituição da experiência. Porém, a própria análise kantiana das estruturas transcendentais que constituem a experiência de conhecimento encontra limites, e este é o caso da doutrina do esquematismo. É justamente aí onde aparece a crítica empreendida pelos pensadores de Frankfurt. Encontramos em vários textos de Adorno, Benjamin e Horkheimer a ideia de que os modos próprios com que o sujeito constitui a sua experiência são, eles mesmos, condicionados por instâncias que escapam ao sujeito. O cinema, entendido como mero produto industrial, aparece nestes autores como uma destas instâncias. Acreditamos, porém, que o modo próprio com que a atividade de esquematizar atua no juízo de gosto kantiano pode apontar para outras possibilidades.
Références
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