Vulnerabilidade em face das infecções sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS nos roteiros sexuais de mulheres com transtornos mentais
DOI:
https://doi.org/10.5935/2316-9389.2011.v15.50400Palavras-chave:
Sexualidade, Vulnerabilidade Social, Pessoas Mentalmente Doentes, Doenças Sexualmente Transmissíveis, Educação em Saúde, Enfermagem de Saúde PúblicaResumo
O propósito com este estudo é contribuir para avanços nas ações de promoção da saúde sexual de mulheres com transtornos mentais severos e persistentes, tendo em vista taxas elevadas de infecções sexualmente transmissíveis detectadas nessa população no Brasil. O objetivo foi analisar os roteiros sexuais vividos por essas mulheres a fim de compreender a influência da cultura sexual nas formas de pensar e viver sua sexualidade, bem como seus reflexos na vulnerabilidade em face dos agravos sexualmente transmissíveis. Foram realizadas entrevistas em profundidade com 17 mulheres com transtornos mentais severos e persistentes, analisadas por meio da análise estrutural de narração. A vivência da sexualidade se mostrou fortemente influenciada pelos cenários culturais, tendo sido observadas situações de vulnerabilidade decorrentes, principalmente, dos papéis atribuídos ao gênero. A vulnerabilidade mostrou-se agravada pelo contexto de exclusão social em que vive esse grupo populacional. Os achados mostram, também, a necessidade de considerar os aspectos socioculturais nas ações de promoção da saúde sexual e de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis para essa população, contribuindo para assegurar o princípio da integralidade e o direito de todos a uma assistência qualificada, que fundamentam o Sistema Único de Saúde do Brasil.Downloads
Referências
1. Brito PF, Oliveira CC. A sexualidade negada do doente mental: percepções da sexualidade do portador de doença mental por
profissionais de saúde. Ciênc Cognição. 2009;14(1):246-54.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Prevenção e atenção às
IST/AIDS na saúde mental no Brasil: análises desafios e perspectivas. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. 252 p.
3. Paiva V, Pupo LR, Barboza R. O direito à prevenção e os desafios da redução da vulnerabilidade ao HIV no Brasil. Rev Saúde
Pública. 2006;40(supl):109-19.
4. Parker R, Terto Júnior V, organizadores. Aprimorando o debate: respostas sociais frente à AIDS: limites e possibilidades na terceira
década. Rio de Janeiro: ABIA; 2002. 40 p.
5. Foucault M. História da Sexualidade I: a vontade de saber. 19ª ed. Rio de Janeiro: Edições Graal; 1988. 152p.
6. Bajos N, Bozon M, Giami A, organizadores. Sexualité et Sida. Recherches en sciences sociales. Paris: Agence Nationale de
Recherches sur de Sida; 1995. 380p.
7. Gagnon J. Uma interpretação do desejo: ensaios sobre o estudo da sexualidade. Rio de Janeiro: Garamound; 2003. 448 p.
8. Mann J, Tarantolla DJM, Netter TW, editores. Aids in the world. Cambridge: Harvard University Press; 1992.
9. Demazière D, Dubar C. Analyser les entretiens biographiques. L’exemple de récits d’insertions. Paris: Nathan, Coll. Essais &
recherches; 1997. 287 p.
10. Blanchet AG. L’Enquête et ses méthodes: l’entretien. Paris: Nathan; 1992. 112p.
11. Parker R. Corpos, prazeres e paixões: a cultura sexual no Brasil contemporâneo. São Paulo: Bestseller; 1991.
12. Gozzo TO, Fustinoni SM, Barbieri M, Roher WM, Freitas IA. Sexualidade feminina: compreendendo seu significado. Rev Latinoam
Enferm. 2000;8(3):84-90.
13. Monteiro S. Sexualidade e gênero: a lógica da proteção entre jovens de um bairro popular carioca [tese]. Rio de Janeiro: Escola
Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz; 1999. 186 p.
14. Heilborn ML, Aquino EML, Bozon M, Knauth DR, organizadores. O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sexuais
de jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Garamond e Fiocruz; 2006. 536 p.
15. World Health Organization. Global Consultation on Violence and Health. Violence: a public health priority. Geneva: WHO; 1996.
16. Pfeiffer L, Salvagni EP. Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência. J Pediatr (Rio J). 2005;81(5 Supl):S197-S204.
17. Oliveira SB. Loucos por sexo: um estudo sobre a vulnerabilidade dos USM para o HIV. Rio de Janeiro: Instituto de Psiquiatria,
Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1998.
18. Bozon M. Observer l’inobservable: la description et l’analyse de l’activité sexuelle. In: Bajos N, Bozon M, Giami A, organizadores.
Sexualité et Sida. Recherches en sciences sociales. Paris: Agence Nationale de Recherches sur de Sida; 1995. p.39-56.
19. Marciani JA. Reseña de la prostitución a través de la historia. Peru: Cedro; 2002. Prostitución adolescente, consumo y
microcomercialización de drogas; p.173-196.
20. Ribeiro MO, Dias AF. Prostituição infanto-juvenil. Revisão sistemática da literatura. Rev Esc Enferm USP. 2009;43(2):465-71.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2011 Reme: Revista Mineira de Enfermagem

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.


































