Democracia no Brasil à luz da colonialidade do poder e ontologia crítica

Autori

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.61755

Parole chiave:

Democracia, Colonialidade do Poder, Subcidadania

Abstract

Com o tema da relação entre colonialidade, ontologia crítica e democracia, o objetivo do presente artigo é refletir acerca dos processos de colonização no enraizamento de noções históricas, sociais, econômicas e ontológicas da política na América Latina enquanto instrumentos criadores e mantenedores de categorias sociais utilizadas como ferramentas da democracia neoliberal. O problema de pesquisa consiste em questionar a efetivação da democracia em uma sociedade estruturada sobre hierarquias coloniais, baseadas em raça, gênero e classe. Na busca por respostas, o trabalho fundamenta-se em aportes advindos da teoria crítica e decolonial, assentando-se, especialmente, sobre o conceito de “colonialidade do poder”, de Aníbal Quijano. A hipótese levantada é que a versão contemporânea de democracia sob neoliberalismo em vez de romper com as estruturas coloniais, reforça-as, fazendo com que a colonialidade permaneça como eixo estruturante das relações sociais e políticas no país. A partir de uma abordagem metodológica qualitativa, com a realização de uma revisão bibliográfica de cunho hipotético-dedutivo, reflete-se nos limites impostos à realização da democracia em um país ainda categorizado em zonas do ser e zonas do não ser, definidoras dos legítimos sujeitos de direito.

Downloads

La data di download non è ancora disponibile.

Biografie autore

  • Ana Laura Marques Gervasio, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Professora Substituta do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Brasil. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGD/UFRJ), Brasil, com bolsa FAPERJ Doutorado Nota 10. Mestra e Bacharela em Direito da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Pesquisadora do RESSABER/UFOP e INPODDERALES/UFRJ. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1183-7490. Contato: anagervasio@hotmail.com

  • Maria Clara Borges Rodrigues, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Doutoranda e Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGD/UFRJ), Brasil. Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário pela PUC Minas. Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Pesquisadora do INPODDERALES (UFRJ) e integrante do NAJUP Luiza Mahin (FND/UFRJ). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0239-9185. Contato: brodriguesmariaclara@gmail.com

Riferimenti bibliografici

BROWN, Wendy. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no Ocidente. São Paulo: Editora Filosófica Politéia, 2019.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. La hybris del punto cero: ciencia, raza e ilustración en la Nueva Granada (1750-1816). 2. ed. Bogotá: Editorial Pontificia Universidad Javeriana, 2010.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. ¿Qué hacer con los universalismos occidentales? Revista Ideação, v. 1, n. 35, p. 39-76, 2017. Disponível em: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/issue/view/88. Acesso em: 4 fev. 2026.

CASTRO, Susana de. Condescendência: estratégia pater-colonial de poder. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 140-152.

CUSICANQUI, Silvia Rivera. La noción de “derecho” o las paradojas de la modernidad postcolonial: indígenas y mujeres en Bolivia. Temas Sociales, n. 19, p. 27-52, 1997. Disponível em: http://www.scielo.org.bo/scielo.php?pid=S0040-29151997000100002&script=sci_arttext. Acesso em: 4 fev. 2026.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Editora Boitempo, 2016.

DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade. Trad. Jaime A. Clasen. Petrópolis: Vozes, 1993.

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1968.

GALLARDO, Helio. Sobre el fundamento de los derechos humanos. Rev. Filosofía Univ. Costa Rica, XLV v. 1 n. 116, p. 9-24, 2007. Disponível em: https://www.heliogallardo-americalatina.info/index.php?option=com_content&view=article&id=58:sobre-el-fundamento-de-derechos humanos&catid=11&tmpl=component&format=pdf&Itemid=106 Acesso em: 04/02/2026

GÁNDARA, Manuel. Capitalismo (neoliberal) y derechos humanos. In: GUAMÁN, Adoración; PRONER, Carol; RICOBOM, Gisele (Org.): Lex mercatoria, derechos humanos y democracia: un estudio del neoliberalismo autoritario y las resistencias en América Latina. Clacso: Buenos Aires, 2021, p. 13-31.

GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. São Paulo: UCPA Editora, 2018.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 38-51.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

GONZALEZ, Lélia. A cidadania e a questão étnica. In: GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020, p. 232-241.

GROSFOGUEL, Ramón. Descolonizar as esquerdas ocidentalizadas: para além das esquerdas eurocêntricas rumo a uma esquerda transmoderna descolonial. Contemporânea, v. 2, n. 2, p. 337-362, 2012. Disponível em: https://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/view/86/51. Acesso em 04 fev. 2026.

HINKELAMMERT, Franz. Totalitarismo del Mercado: El mercado capitalista como ser supremo. Ciudad de Mexico: Akal, 2016.

LIXA, Ivone F. Morcilo; ALLAIN, João Paulo. Novo populismo antidemocrático e a necropolítica do poder: reflexões do brasil contemporâneo. In: RAJLAND, Beatriz; MATAMOROS, Mylai Burgos; FAGUNDES, Lucas Machado (Org.). Estado, política y pensamientos jurídicos en Nuestramérica. 1. ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO/ILSA, 2023, p. 195-204.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014. Disponivel em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755. Acesso em: 04 de fev. 2026

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 52-83.

LYNCH, Nicolás. ¿Qué nos permite ver las cosas de otra manera? La condición dependiente. Lo nacional-popular como la democratización fundamental. In: LYNCH, Nicolás. Para una crítica de la democracia en América Latina. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO; Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos, 2020, p. 21-41. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/posgrados/20201006012401/Para-una-democracia.pdf. Acesso em: 4 fev. 2026

MALDONADO-TORRES, Nelson. On the coloniality of human rights. Revista Crítica de Ciências Sociais, p. 117-136, 2017. Disponível em: https://journals.openedition.org/rccs/6793. Acesso em: 4 fev. 2026.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Da colonialidade dos direitos humanos. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MARTINS, Bruno Sena (org.). O pluriverso dos direitos humanos: a diversidade das lutas pela dignidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p. 87-110.

MEDICI, Alejandro. Nuevo constitucionalismo latinoamericano y giro decolonial: seis proposiciones para comprenderlo desde un pensamiento situado y crítico. El Otro Derecho, p. 19-62, 2013. Disponível em: https://www.academia.edu/11845335. Acesso em: 4 fev. 2026.

MIGNOLO, Walter. A Geopolítica do Conhecimento e a Diferença Colonial. Revista Lusófona de Educação, v. 48, p. 187-224, 2020. Disponível em: https://revistas.ulusofona.pt/index.php/rleducacao/article/view/7324. Acesso em 4 fev. 2026.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, 2008. Disponível em: http://professor.ufop.br/sites/default/files/tatiana/files/desobediencia_epistemica_mignolo.pdf. Acesso em: 21 nov. 2020.

MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Palestra proferida no 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação – PENESB-RJ, Rio de Janeiro, 5 nov. 2003. Disponível em: https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59. Acesso em: 1 nov. 2021.

OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Trad. Wanderson Flor do Nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

PIRES, Thula Rafaela. Racializando o debate sobre direitos humanos: limites e possibilidades da criminalização do racismo no Brasil. Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos, v. 15, n. 28, p. 65-75, 2018. Disponível em: https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2019/05/sur-28-portugues-thula-pires.pdf. Acesso em: 9 jun. 2021.

PIRES, Thula Rafaela. Por uma concepção amefricana de direitos humanos. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 298-318.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade, poder, globalização e democracia. Revista Novos Rumos, v. 17, n. 37, p. 4-25, 2002. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/2192. Acesso em 04 fev. 2026.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo; MIGNOLO; Walter (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 117-142.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder y clasificación social. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón (org.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007, p. 93-126.

RESTREPO, Eduardo; ROJAS, Axel. Inflexión decolonial: fuentes, conceptos y cuestionamentos. Colombia: Editorial Universidad del Cauca, 2010.

RODRIGUES, Cristiano dos Santos . As fronteiras entre raça e gênero na cena pública brasileira: um estudo da construção da identidade coletiva do movimento de mulheres negras. 2006, 234 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil, 2006, p. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/VCSA-7WNM6C. Acesso em: 4 fev. 2026.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Reinventar la democracia: reinventar el Estado. Quito: Abya Yala, 2004.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A difícil democracia: reinventar as esquerdas. São Paulo: Boitempo, 2016.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Reinventar a democracia. 2. ed. Lisboa: Gradiva, 2002.

SIMAKAWA, Viviane Vergueir. Por inflexões decoloniais de corpos e identidades de gênero inconformes: uma análise autoetnográfica da cisgeneridade como normatividade. Dissertação (Mestrado em Cultura e Sociedade) - Universidade Federal da Bahia, Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, Salvador, Brasil, 2015, 243 f. Disponivel em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/19685. Acesso em: 4 fev. 2026

SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 32. ed. São Paulo, SP: Malheiros, 2009.

SOUZA, Jessé. A construção social da sub-cidadania: para uma sociologia política da modernidade periférica. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.

SOUZA, Jessé. A gramática social da desigualdade brasileira. In: BRASILEIRA, A. I. D. D. Souza, Jessé. Belo Horizonte: UFMG, 2006.

WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2003

Pubblicato

2026-02-20

Come citare

GERVASIO, Ana Laura Marques; RODRIGUES, Maria Clara Borges. Democracia no Brasil à luz da colonialidade do poder e ontologia crítica. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 1–25, 2026. DOI: 10.35699/2525-8036.2026.61755. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e61755. Acesso em: 22 feb. 2026.