Pretuguês, Amefricanidade, Contra-Esfera Pública
Experiências e conhecimento insurgentes transformando contextos urbanos críticos na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.35699/5mwaeq90Palavras-chave:
Amefricanidade, Contra-esfera pública, Crise social, Pretuguês, Experiências periféricasResumo
Analisamos os conceitos de pretuguês e amefricanidade (Gonzalez, 2020) para colocar em perspectiva práticas de resistência nas periferias urbanas da América Latina. Enquanto espaços de enunciação que desafiam as narrativas hegemônicas e oferecem alternativas epistemológicas e políticas frente aos problemas socioespaciais e urbanos, pretuguês e amefricanidade podem estabelecer uma esfera pública de contestação e crítica. A pesquisa aproxima Gonzalez da noção de uma contra-esfera pública (Kluge e Negt, 1973, 2016), evidenciando como essas práticas linguísticas e culturais reconfiguram relações de poder, identidade e pertencimento, propondo uma crítica da cidade e da sociedade latino-americana. Examinamos a agência de mulheres negras (mãe preta, empregada doméstica e mulata) e experiências como o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos, o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango e o Reinado da Guarda de Moçambique Treze de Maio em Belo Horizonte para compreender a emergência de formas de organização social, coletiva e de resistência nos contextos periféricos.
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