Pretuguês, Amefricanidade, Contra-Esfera Pública

Experiências e conhecimento insurgentes transformando contextos  urbanos críticos  na América Latina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/5mwaeq90

Palavras-chave:

Amefricanidade, Contra-esfera pública, Crise social, Pretuguês, Experiências periféricas

Resumo

Analisamos os conceitos de pretuguês e amefricanidade (Gonzalez, 2020) para colocar em perspectiva práticas de resistência nas periferias urbanas da América Latina. Enquanto espaços de enunciação que desafiam as narrativas hegemônicas e oferecem alternativas epistemológicas e políticas frente aos problemas socioespaciais e urbanos, pretuguês e amefricanidade podem estabelecer uma esfera pública de contestação e crítica.  A pesquisa aproxima Gonzalez da noção de uma contra-esfera pública (Kluge e Negt, 1973, 2016), evidenciando como essas práticas linguísticas e culturais reconfiguram relações de poder, identidade e pertencimento, propondo uma crítica da cidade e da sociedade latino-americana. Examinamos a agência de mulheres negras (mãe preta, empregada doméstica e mulata) e experiências como o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos, o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango e o Reinado da Guarda de Moçambique Treze de Maio em Belo Horizonte para compreender a emergência de formas de organização social, coletiva e de resistência nos contextos periféricos.

Biografia do Autor

  • Rita de Cássia Lucena Velloso, Universidade Federal de Minas Gerais

    Professora associada na Escola de Arquitetura da UFMG (desde 2012) . Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 no CNPq. Coordenadora do grupo de pesquisa Cosmópolis (UFMG/CNPq), sediado na Escola de Arquitetura da UFMG, e residente no IEAT (2023-2026). Tem Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999), doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007), com estágio doutoral na McGill University, Montreal, CA (2005). Pesquisadora Visitante em Walter Benjamin Archive/ Akademie der Künste, Berlin (2025). Senior Fellow em Zukunftskolleg / Konstanz Universität (2025).

  • Carolina M. S. Lima, Universidade Federal de Minas Gerais

    Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora voluntária na Escola de Arquitetura da UFMG (desde 2024). Pesquisadora do Cosmópolis (UFMG/CNPq), sediado na Escola de Arquitetura da UFMG, residente no IEAT (Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG) (2023-2026). , do grupo PRAXIS-UFMG, do Observatório das Metrópoles e do Observatório da Diversidade Cultural.

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Publicado

2025-11-11

Como Citar

Pretuguês, Amefricanidade, Contra-Esfera Pública: Experiências e conhecimento insurgentes transformando contextos  urbanos críticos  na América Latina. Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 32, n. Fluxo Contínuo, p. 1–33, 2025. DOI: 10.35699/5mwaeq90. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/61347. Acesso em: 13 mar. 2026.

Dados de financiamento